A Ovelha Alucinada
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Stalin matou Maiakovski e disso os anarquistas não esqueceram,
o Estado matou Federico Garcia Lorca,
e disso não esqueceremos,
Que o Estado é uma máquina de tortura,
que o Estado é a maior máquina mortifera da humanidade,
seja burgues ou seja proletario,
disso nós, os anarquistas,
jamais esqueceremos.
Pelo direito a vagabundagem,
o anti burgues e o anti proletariado
Disto
Jamais.
Esqueceremos?
Falavam, falavam, falavam
de olhos esbugalhados na noite de Floripa,
entre passos apressados para lugar nenhum,
fumando cigarro após cigarro,
poço sem fundo, escuro, feito clarão negro da noite,
buraco negro entre bocas e boeiros
hemorragicos decassilabos...
Enquanto sobem o morro,
as horas avançam sobre a noite
e a lua se reflete em poças dagua,
enquanto crackeiros pedem e pegam uma bola de tudo aquilo que me resta.
As bixas procuram picas:
Os ativos buscam cú os passivos buscam paú.
Heteros buscam vaginas ou buracos de tijolos.
Ninguem esta afim da realidade.
Desce outra cerveja,
e dividas e dividendos em papel moeda transitam sobre a mesa,
é busnisses,
sem parar de falar,
sem jamais parar de falar,
se quer por um minuto,
se há um fato, único sequer
é que não conseguem parar de falar.
(de fato o mundo fornece muito assunto)
Bebado fumando teorizando sobre o mundo,
entre abusos e excessos invisto meu pulmão em bitucas,
Idéias absurdas, vontade de romper com o acaso, espancar a rotina,
E fazer amor,
soar
assar a carne.
Planos sem fundamentos fundamentam a desfundamentação,
Donos do mundo por um instante,
loucos, de longe nos reconhecem
flutuam pela brisa da existência
Ao amanhecer do dia
indubitavelmente
Naufragam na tormenta que outrora fomentaram
Mas outra noite surgira,
e novamente vira lhes resgatar.
Nix amamenta suas crias
Ninguem esta afim da realidade.
Drogas, igrejas, novelas.
Dizímas periódicas,
reticencias e eteceteras...
etc
etc
etc
Crescer significa adaptar-se,
e eis o proletario anarquista
dizendo sim senhor
quando lhe interrogam no trabalho
A minha rebeldia
nao me precaveu
das responsabilidades
que eu quis
ilusoriamente
livrar-se
ideologicamente
E os pelos pubianos
ficam longos
caso nao cortados
Cortar o cabelo.
Um gesto simples,
mas quando caiu aquele pega rapaz
algo de mim tambem declinou
Nao sou mais o menino
se masturbando no banheiro
com seu vigoroso penis juvenil
O mundo tambem chegou
tentando me ensinar
que e mais facil abraça-lo
do que convencelo
Agora movimento
transacoes bancarias,
contas chega em meu nome
e o aluguel tarda mas nao falha
Crescer,
mas perai,
logo eu,
que estava tao satisfeito com aquele velho rapaz
o mundo me chama
e nao esquece meu nome
Também fui capturado pela rotina.
Mas quando me idealizei jovem
a estas horas
era pra mim estar fumando maconha
em algum lugar distante e esquerdista
da america latrina
O mundo nos castra
e aos poucos
a gente se convece
que de fato
nos livramos de algo desimportante,
tipo,
liberdade
Quem puder alimentar seus sonhos,
que os torne obesos,
Achei que comigo poderia ser diferente
e que talvez
o relogio
jamais me coagiria
sou livre,
tolo que sou
A gente cresce,
mesmo sem querer
e o mundo chama
mesmo quando nao se ouve
Daqui a pouco sera domingo,
e eu ja começo a me convencer
de que a poltrona ligada no faustao
talvez seja o melhor pra mim
Maldito signo
que torna facil adaptar-se
Certamente meu salario nao me tornara uma pessoa mais feliz,
mas no entanto,
contudo,
todavia,
sempre tera uma coca-cola
me esperando na geladeira.
E isso que chamam de felicidade
interrogo
Agora sou maduro,
mas talvez caia do pe
Aconteceu comigo,
por isso mantenha seus olhos aberto
Com Melo
Está disposto a morrer pela revolução?
A merda é que eles nos matam sem dar um tiro
e nos atiram sem nos matar
até porque não precisamos morrer
a rotina esfaqueia nossas goelas
e não temos o mínimo direito sequer
de pedir perdão
nem o queremos
não aquilo que não fazemos
não aquilo que deixamos de fazer
mas aquilo que nem passa sobre nossas cabeças
aquela ideia brilhante
que nunca nos iluminará
estaria nessa luz inatingível a liberdade?
ou por cima de nossas cabeças
somente as botas que nos pisoteiam
enquanto lustramos as botas
dos gatos de botas
muito menos vagabundos de veras do que nosotros
Ay minha florezita, libertad mariposa.
Devaneio III resta IX
com Cogu Melo
Uma perfeita forma de dominação
o trabalho
o uma perfeita forma de iluminação
o iluminismo
as máquinas farão tudo por nós
e só trabalharemos
porque somos contra o trabalho
Três pontos da alienação
1. alienação sobre o que se produz
2. alienação sobre como produz
3. alienação sobre a destinação do que se produz
E eu que cago
e nem sei
pra onde minha merda vai.
Como falar de alienação
se nem sei falar de merda
como falar de alienação
se nem sei dar descarga
nas minhas ideias
dou descarga em meus ideais
Jogarei o lixo no chão
o que você tem a ver com a corrupção?
Outro dia lhe vi
comendo no bobs
mastigando o mc donalds
no café do cfh
Hippie cfh
procura paty ctc
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