terça-feira, 7 de janeiro de 2014

A Caverna Não é alegoria, antes poema. Não é mito, embora mística. Quando não tem luz, é pra não se iludir com as sombras. Mas se Platão volta aqui o pau pega fácil, cultivamos a ignorância se for o caso de prevenção ao filosofo-rei. Cega aqueles que portam a luz. A sombra é tanto projeção quanto real. O mundo das idéias é o mesmo mundo da matéria. A caverna representa o último subterfugio, o último local do qual a vontade ainda não foi superada pela razão, pela moral. O espaço que não esta em 2013, não segue o horário de Brasilia, não se sujeita aos anseios morais do estado-federação. Na caverna trepamos loucamente, bebemos loucamente, poetizamos loucamente, discutimos loucamente. Desde que mantendo um certo nível de silêncio, porque nossa liberdade constantemente necessita emprestar a liberdade dos outros. Descobrimos que com silencio e certa descrição tudo é possivel. Os loucos são como ratos se multiplicando nos esgotos, e a arte do encontro e o perigo do encanto. Entre os canos, se arrastando pelos boeiros, cantando cartola sozinho na noite, se encontrando sem compromisso com o bando da noite. Onde houver poesia houver Cazuza e houver brilho nos olhos, nos materializamos. Abonde seus anti-depressivos, e entre para o Clube da Luta. Pessimistas de plantão caiam na real, o possível é so questão de vontade. No submundo da caverna abrimos um portal que nos isenta de toda sociedade, escrevo como testemunho dessa juventude que vale a pena, tocando agora um blues, lendo na sequencia qualquer poeta beat. Parecia que estavamos pronto para ser a medida do nosso mundo. Na Caverna um mundo provável era menos utópico do que possível. Eramos divas e divos maravilhosos eternamente amaldiçoados pela arte do encontro. Loucos num quadrado ficam loucos ao quadrados. Nos olhavamos e estavamos certos, a nossa incapacidade de adaptação a vida comum comprovava, a rebeldia era a unica possibilidade de expandir nossas vidas. Era necessario estar a altura dos loucos que nos predisseram, pois somos herdeiros daqueles que morreram de aids, de overdose, ou lutando contra o Estado. Me honra estar no meio dessa juventude comprometida na luta contra o capitalismo. Que a complexidade da nossa tarefa não nos fragmente perante o inimigo. Que nunca falta vodka pra quando o mundo virar tédio. Entre nós, a vida jamais será carente de sentidos. Distraidos Venceremos. E bradamos: a disciplina nunca é revolucionaria. Isso foi comprovado empiricamente no laboratório de um mundo novo, do qual designamos: a caverna. Muito mais coringa do que batcaverna. Platão tinha medo da vida. Por isso Platão, você não tá ligado. O que você teme de fato somos nós. OS VIVOS CAVERNOSOS. O resto é vivo enrustido.

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