terça-feira, 7 de janeiro de 2014
O tempo mal e o poeta mau
fundem-se no mesmo impasse.
A fotografia daquele que vira a máquina sobre si,
e torna-se automaticamente
o centro sublime do universo.
Os nossos poemas,
poemas do novo século,
poemas da geração leite ninho,
chocalate em pó,
deveres de casa,
vocação e monogamia.
Nada a contribuir
com a genealogia maldita
que o dna poético
esparrama em nossa cara
através da poesias de Piva,
de Rimbaud.
Não o poema de amor
que sofre incessantemente,
mas o amor que vibra em sua essencia
por saber que sua frustação
é resultado da impossibilidade da captura
da captura do outro ser vivo
a ser reduzido
a nossa vontade egocentrica
ao nosso ideal de felicidade suprema;
Todos estes poemas no lixo,
porque são comerciais
e poderiam pacifiamente
virar propagandas de perfume,
Não fizemos nada além
do que procriar a lógica eugenista
do autor poético como o portador do sangue nobre,
como o ditador que exprime pontos finais.
Desvelar a humanidade na sua forma mais imperfeita
a qual a poucos agrada ser vista,
o rídiculo de sentir que exprime Dostoeivski,
a vontade de ser contrapondo o ríduculo de existir
como lembrava Nietzsche.
Não aquilo que pensamos,
mas aquilo que nem sequer pensamos que deixamos de pensar.
Não o possível, o provável,
mas o sonho, o absurdo,
Tudo, tudo,
em nome do poder supremo
onde não mais haverá sentido para remédios
depressivos e pessoas chorando ao telefone,
Onde a cosmologia anarquista prevalecera
sobre as opressoras,
dominantes,
mórbidas 8 horas de trabalho.
Todos nossos poemas fora,
até que atinjam a simples qualidade
de serem incapturaveis pela moral burguesa
e que passado longos tempos
permaneçam
como simbolos de rebeldia
engradeçendo
a genealogia eterna
dos poetas malditos
que é a própria
ontologia
do próprio poema.
O poeta decompõe a realidade, pois a partir de si outros milhares de poemas se fazem possíveis. O valor da poesia esta em não encerrar o tema, deixando sempre algo oculto a ser desvendado pelo outro poeta.
A poesia nunca é simplesmente, e só existe no seu contexto plural, a poesia só faz sentido em rede. A poesia só faz sentido porque sempre surgirá um novo poeta que dirá algo novo sobre aquilo que se imaginava que outro poeta ja hávia dito tudo.
A poesia nunca se encerra.
Há de ser sempre uma arte a ser descoberta,
inventada.
Um devir,
que vem a ser,
por estar sempre duvidando de si,
que se preenche
sendo incompleto.
Ninguem preenche o lírico,
porque toda alma é menor que o mundo.
O poeta,
o poeta tenta.
Por nunca conseguir há de ser a poesia
uma arte sempre eterna
E sempre haverá poesia
até que o primeiro computador
faça arte
e reduza a alma lírica
a técnica mecânica.
Por isso desprezo poetas que fazem dinheiro.
E desconfio de todo poeta
que faz questão de ser e se vender,
sob o staus de "poeta".
Escrevo porque não sou um gênio,
e na minha imbecilidade lírica
contesto o juízo de valor
daquele que te achas
algo poeticamente melhor.
Me desculpe,
mas neste grupo só temos leitores passivos
que se apressam em curtir mas nada criticam,
e poetas borrabotas
preocupados em exercer a vaidade da escrita
que claramente buscam um lugar
no trono que agora ocupa
Abreu Fernando Caio.
Que as madames balbuciem seus versos.
E que suas cabeças sejam estupidamente coroadas.
Desejo sincero de que a coca cola lhes compreenda
e que vossas palavras substituam dignamente
o tão limitado slogan
"abra a felicidade"
Veio por meio desta
o leitor frustado
que de vossos poemas só permaneceu mais dócil,
e constatou que de fato
o tempo mal e o poeta mal
fundem-se no mesmo impasse.
Nenhum malditos entre nós.
Muita imagem e pouca carne.
Vencedores, vencedores
até em vossas poesias fracassadas
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