terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Sofistas
Penso muito sobre a domesticação humana, sobre a tecnificação do homem, sobre a neutralização da experiencia. Alguns me acusam de saudosista,por achar que em tempos antigos a vida tinha um algo mais. Mas não faz sentido pensar que nestes séculos de dominação técnifica-burguesa, algo realmente vai se perdendo, quer dizer, como diz Drummond, que ao telefone perdemos muito, muito tempo de semear?
Neste novo século não tivemos um grande poeta em evidencia. Isto é algo "sui generis", uma década sem um grande poeta. Estaria eu loco de justificar diversos péssimismos a partir disso? A interdição do discurso poético não tem nada a dizer sobre nós? Novamente Drummond, o tempo mal e o poeta mal fundem-se no mesmo impasse.
Anarquistas surrealistas franceses se debruçaram sobre a problemática da crise do sensível. Se convenceram de que sem o poema o elo mágico que conecta cosmologicamente o homem com o homem se perde. Entenderam que o cientificismo dogmatico e a sacralizacao da razão é uma ameaça constante, pois fomenta o homem-máquina, progamado lógicamente através de códigos binários para executar projetos.
O anarquismo deve transcender qualquer materialismo, afim de não permitir que a concepção de homem exclua a concepção de alma, e que o homem não torne-se um corpo simplesmente. Isto nos previne da ilusão de achar de que a igualdade material e o pleno saciamento das necessidades biologicas do corpo humano sejam algo além do que justiça, e se confundam também com liberdade ou autonomia.
Entendemos expressamente que a disputa no campo sensível, ou seja, místico e artístico é deveras um campo por excelência de atuação anárquica. Acreditamos fielmente de que sendo a realidade discurso, a linguagem revolucionaria não poderia jamais ser uma linguagem cientifica, metodologica, como se orgulham os guardiões do "materialismo dialético". Não diferente da episteme burguesa, estes glorificam a opressão biopolitica do trabalho, e acabam como os capitalistas, reduzindo o homem e todas as suas potencialidades a uma força produtiva.
Sinceramente não vejo como paredes de partidos, reuniões demoradas e disputas de eleições burguesas podem contribuir politicamente com nossa autonomia. As "vanguardas revolucionarias" de nosso tempo parecem apenas nos restringir a normatividade comoda da politica das cadeiras, e a atividade revolucionaria torna-se uma politicagem tola de agariar membros para o partido, de controlar e exercer influencia sobre o máximo possivel de pssoas, ou seja, de massas.
Não luto uma luta de classes. Não me interessa se a ditadura é do proletariado ou é da burguesia, não louvo nem condeno nenhum agente, entre Hitler e Stalin para mim o culpado é o Estado. As superestruturas burguesas são estruturas de dominação burguesas, mas os proletarios acham que podem ser estruturas de libertação proletária. O anarquismo não trabalha dentro destes termo. A opressão para nós deve-se as estruturas de poder. O dispositivo de verdade é sem dúvida o mais perigoso. Por isso somos sofistas
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