terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Stalin matou Maiakovski e disso os anarquistas não esqueceram,
o Estado matou Federico Garcia Lorca,
e disso não esqueceremos,
Que o Estado é uma máquina de tortura,
que o Estado é a maior máquina mortifera da humanidade,
seja burgues ou seja proletario,
disso nós, os anarquistas,
jamais esqueceremos.
Pelo direito a vagabundagem,
o anti burgues e o anti proletariado
Disto
Jamais.
Esqueceremos?
Falavam, falavam, falavam
de olhos esbugalhados na noite de Floripa,
entre passos apressados para lugar nenhum,
fumando cigarro após cigarro,
poço sem fundo, escuro, feito clarão negro da noite,
buraco negro entre bocas e boeiros
hemorragicos decassilabos...
Enquanto sobem o morro,
as horas avançam sobre a noite
e a lua se reflete em poças dagua,
enquanto crackeiros pedem e pegam uma bola de tudo aquilo que me resta.
As bixas procuram picas:
Os ativos buscam cú os passivos buscam paú.
Heteros buscam vaginas ou buracos de tijolos.
Ninguem esta afim da realidade.
Desce outra cerveja,
e dividas e dividendos em papel moeda transitam sobre a mesa,
é busnisses,
sem parar de falar,
sem jamais parar de falar,
se quer por um minuto,
se há um fato, único sequer
é que não conseguem parar de falar.
(de fato o mundo fornece muito assunto)
Bebado fumando teorizando sobre o mundo,
entre abusos e excessos invisto meu pulmão em bitucas,
Idéias absurdas, vontade de romper com o acaso, espancar a rotina,
E fazer amor,
soar
assar a carne.
Planos sem fundamentos fundamentam a desfundamentação,
Donos do mundo por um instante,
loucos, de longe nos reconhecem
flutuam pela brisa da existência
Ao amanhecer do dia
indubitavelmente
Naufragam na tormenta que outrora fomentaram
Mas outra noite surgira,
e novamente vira lhes resgatar.
Nix amamenta suas crias
Ninguem esta afim da realidade.
Drogas, igrejas, novelas.
Dizímas periódicas,
reticencias e eteceteras...
etc
etc
etc
Crescer significa adaptar-se,
e eis o proletario anarquista
dizendo sim senhor
quando lhe interrogam no trabalho
A minha rebeldia
nao me precaveu
das responsabilidades
que eu quis
ilusoriamente
livrar-se
ideologicamente
E os pelos pubianos
ficam longos
caso nao cortados
Cortar o cabelo.
Um gesto simples,
mas quando caiu aquele pega rapaz
algo de mim tambem declinou
Nao sou mais o menino
se masturbando no banheiro
com seu vigoroso penis juvenil
O mundo tambem chegou
tentando me ensinar
que e mais facil abraça-lo
do que convencelo
Agora movimento
transacoes bancarias,
contas chega em meu nome
e o aluguel tarda mas nao falha
Crescer,
mas perai,
logo eu,
que estava tao satisfeito com aquele velho rapaz
o mundo me chama
e nao esquece meu nome
Também fui capturado pela rotina.
Mas quando me idealizei jovem
a estas horas
era pra mim estar fumando maconha
em algum lugar distante e esquerdista
da america latrina
O mundo nos castra
e aos poucos
a gente se convece
que de fato
nos livramos de algo desimportante,
tipo,
liberdade
Quem puder alimentar seus sonhos,
que os torne obesos,
Achei que comigo poderia ser diferente
e que talvez
o relogio
jamais me coagiria
sou livre,
tolo que sou
A gente cresce,
mesmo sem querer
e o mundo chama
mesmo quando nao se ouve
Daqui a pouco sera domingo,
e eu ja começo a me convencer
de que a poltrona ligada no faustao
talvez seja o melhor pra mim
Maldito signo
que torna facil adaptar-se
Certamente meu salario nao me tornara uma pessoa mais feliz,
mas no entanto,
contudo,
todavia,
sempre tera uma coca-cola
me esperando na geladeira.
E isso que chamam de felicidade
interrogo
Agora sou maduro,
mas talvez caia do pe
Aconteceu comigo,
por isso mantenha seus olhos aberto
Com Melo
Está disposto a morrer pela revolução?
A merda é que eles nos matam sem dar um tiro
e nos atiram sem nos matar
até porque não precisamos morrer
a rotina esfaqueia nossas goelas
e não temos o mínimo direito sequer
de pedir perdão
nem o queremos
não aquilo que não fazemos
não aquilo que deixamos de fazer
mas aquilo que nem passa sobre nossas cabeças
aquela ideia brilhante
que nunca nos iluminará
estaria nessa luz inatingível a liberdade?
ou por cima de nossas cabeças
somente as botas que nos pisoteiam
enquanto lustramos as botas
dos gatos de botas
muito menos vagabundos de veras do que nosotros
Ay minha florezita, libertad mariposa.
Devaneio III resta IX
com Cogu Melo
Uma perfeita forma de dominação
o trabalho
o uma perfeita forma de iluminação
o iluminismo
as máquinas farão tudo por nós
e só trabalharemos
porque somos contra o trabalho
Três pontos da alienação
1. alienação sobre o que se produz
2. alienação sobre como produz
3. alienação sobre a destinação do que se produz
E eu que cago
e nem sei
pra onde minha merda vai.
Como falar de alienação
se nem sei falar de merda
como falar de alienação
se nem sei dar descarga
nas minhas ideias
dou descarga em meus ideais
Jogarei o lixo no chão
o que você tem a ver com a corrupção?
Outro dia lhe vi
comendo no bobs
mastigando o mc donalds
no café do cfh
Hippie cfh
procura paty ctc
Mais valia estar morto do que vivo
Todos vocês reproduziam, reproduziam, reproduziam,
signos velhos isentos de novos significados
mas é óbvio que eu e minha trupe
de poetas insaciáveis
nos lançaríamos na busca de inventar novos mundos.
Eramos o clã dos poetas incapturaveis,
nossas noites não tinham scripts,
e nossas plenárias eram aleartórias
nos encontravamos pela noite
e facilmente desfaziamos a barreira
de meros desconhecidos
Nos encontrávamos inevitavelmente
e de longe
nossa voz cantando gonzaguinha
era ouvida pela sociedade careta.
Nossas reuniões não tinham horários,
nem líderes, nem lugares.
Eramos o grande clã dos militantes desorganizados,
a incontavel trupe dos voyeurs urbanos taciturnos
Todos estavam satisfeitos
perplexos e pasmos
por palavras que suas bocas não disseram
Nós não,
nós estavamos a parte de tudo,
buscando encontrar em nós
a meta-metafóra
que o século que viviamos
exigia.
Reproduzir o mundo em forma e conteúdo,
até nós assim seria a lógica
mas achamos que não
e que talvez
mobilizando nossa loucura e juventude
nos libertaríamos
de opressoras 8 horas de trabalhos
até a aposentadoria.
Era necessario se jogar ao mundo
estando vulnerável as suas influencias
drogas só são perigosas em contato com livros,
Os poemas chapam mais do que coca
Mas todos vocês preferiam falar pela voz alheia,
não era o nosso caso,
ninguem mais nos representava,
e todas nossas referencias a partir de nos eram estrumes para o futuro,
eramos donos da nossa própria historia
nos fazíamos agentes de nossos próprios discursos alienados
Não tinha outro jeito,
se lançar ao verbo
era a tarefa de uma geração
que embalsama o pensamento beatnick,
E nestes poemas
uma outra história
se iniciava.
Muitos observam o mundo,
mas entre nós a passividade eh complacente,
Não mais espectadores das telas das cadeiras e dos professores
agentes narradores de sua propria experiencia,
tudo isso em pleno inicio de um novo século
tal e qual planejado
para que não haja história para nós,
para que sejamos consumidores passivos
do mundo e de refrigerantes
uma juventude inteira
adestrada para rezar na voz do santo padre.
Entre nós, quais serão retratos de seu tempo?
Daqui, qual elevera o poema a sua potencia maxima?
As nossas historias de amor estão obseltas
e alem do mais
ninguem acredita
Os EUA atacam a Síria
e este deve ser o tema da semana.
Quais, entre nós, passarão por nós?
Daqui, alguem capaz de falar algo interessante
um poema que não seja uma camera
daquele que fotografa apenas a si mesmo?
Acredito no poema-feitiço
que deferido de maneira correta
não permite a ninguem
permanecer inerte da forma que continua.
Passarei os proximos 40 anos trancando no escritorio?
Sobre as nossas vidas, quem além de nós pode decidir?
Aquele que acredita e valoriza o trabalho que trabalhe por mim,
não sei quanto a vocês
mas antes de eu morrer
eu pretendo ter visitado o Haiti
Devo pedagogicamente
dar o exemplo da transgressao poetica-ludica
e me oferecer pela causa,
eis meu dever,
morrer cumprindo tendo mais horas de sexo
do que horas passadas ao telefone,
quer dizer,
ter mais vida, muito mais,
e transcender este resumo que lhes dou por facebook,
o qual voces tolos,
facilmente acreditam.
Quando "o mundo só existe em uma sequencia monotona de acontecimentos precavidos (Henry Miller)", a vida deixa de se tornar um mistério, como designou o divino, e passa a se tornar um calculo, como designou o homem. O tédio, o cotidiano, a rotina, o reproduzir cego dos dias sobre o mundo, eventos estes que nos fazem sentir incompletos, são a prova cabal de que aquilo que queremos para si ainda precisa ser feito. Há um devir, que nada mais é que..
tudo que se espera de vanguardistas obsoletos. Nada de novo, denovo, eu da raça dos navegadores afirmo balbuciando: nada seria mais catastrofico a historia da humanidade do que em meio satélites descobríssemos um novo continente, virgem até de indigenismo. Vomitos. Graças a deus fomos poupados mais uma vez da novidade, mas eu me pergunto, até quando jovens mancebos? Até quando? O medo habita qualquer sentido a qual me guiam meus olhos. Vomitos. Deve-se evitar tudo que seja possibilidades plausíveis. Reafirmo pela ultima vez: o lógico não me interessa. Já que o óbvio permanece impossível. Tudo que me faça andar em círculos, percorrendo os caminhos da incógnita. Acho que ja percorri este cactus outra vez na vida, embora não tenha minhas marcas nele, nem mesmo as dele continuam em mim...O inconsiente o destino e o submundo são invisíveis e deterministas feito o rastro das minhocas.
Menina, se acredita?
Grunhei, gritei, gemi, bati o pe,
ameacei ate de bota o dedo na guela,
e o desgraçado do poema nao quis sair
Devia ser de amor, o desgraçado,
pra nao quere da as cara logo depois a segunda linha,
Agora ta aqui,
e pergunta se ele sossega?
Ta aqui ainda fazendo algazarra nas minhas estranhas,
as vezes parece ser coisa do miocardio, ora parece do esofago,
Entalo, coitadinho,
Decerto nao quis sair,
se avexo sabe,
cu mundo daqui de fora,
deve-se porque nao sabe falor de amor sem ser brega,
diz que casa contigo nem que tenha que morrer de fome,
poema parecia meio aluado sabe,
falava umas coisa bonita assim,
so que bem melosa,
parecia aqueles sertanejo antigo bunito,
moda de viola,
uns eram brega memo,
mas falavam da vida da gente,
da dificuldade do dia a dia, sabe?
Das coisa do interior memo,
namoro as escondida,
as belezura que voce nem sonhava com medo de leva tiro,filha de corone,
elas oiavo pros rapaiz e os rapaiz nem se astreviam a manda o oia de volta,
ficavo tudo louco sabe,
era ate engracado,
mas os menino sofriam os coitados,
choravo, apaixonado,
aquilo ardia e custava pra sara,
as veiz virava ate umas musica bunita,
que tocava nas radio,
hoje eu ja nem ligo mais,
so aqueles tuntitunti...
Sabe que as veiz eu penso que hoje em dia o povo nao sabe gosta mais de coisa boa?
Ma eh bobagem minha,
As coisa mudo neh, fazer o que,
sao os novos tempo, fazer o que,
ja to ate no facebook.
A gente que ta ficando veia e se nao tomar coidado logo logo fica rancorosa, recalcada, e nem percebe,
Mas que da uma pena das crianca da, internada nesses videogame,
nao sabe nem o que eh colher uma fruta do pe,
que a vida mioro um pouco mioro,
mas muitas coisas se perdeu tambem,
povo dispero sabe,
cada um foi pra um lado,
uns foram obrigado a vender terra,
outros tenta a vida em outra sorte,
ninguem mais se fala, se conhece, se recebe comunicado,
povo se espaio no mundao que nao dexo nem rastro,
ninguem conta mais aqueles caso bao sabe,
so falo de novela,
esse povo da cidade e meio estranho sabe,
passa dia e entra dia e nao olham uma vez pra lua,
como que consegue se adaptarem neh?
assalto, enchente, essas coisa...
Oh, falando em brega, so porque eu tava reclamando, aquele buteco ta tocando Reginaldo Rossi. Lembra que nos fomo no show e eu joguei minha calcinha pra ele, tava ate usada, mas cherosa, haeheahaeha...
- Nao era o Reginaldo, e o Wando, sua burra
Vamo fala mal do palavreado
O ser humano não existe mais e
o ridículo foi exaurido
hereges da loucura
heteronormativos
coerentes!
exponhamos esta carencia absoluta
do contato humanos que repudiamos
e nos ajoelhamos a prostata
como a última arte sacra e intocável
vem você, meu querido
me falar do por do sol e do luar
porque você no palavreado
não para de me falar
de amor e de amar
e de como o raso lhe é suficiente
falsos amantes da melancolia de motel e
usurpadores das chupadas sem gozada
ao fim da transa os lençóis soam secos
e a sua aspiração erétil foi
toda devidamente realizada
o gozo foi seco.
gozaste, tu?
que nunca soubestes o que é prazer
faz me rir
ó sindrome de édipo
sindrome de época
que não conheces do amor
nada além daquele desejo fraterno
familiar, maternal e externo
do qual és tu finalmente
patriarca significante
que embreagado bate na mesa com pomo de homem
macho
e seu músculo representa a autoridade
exercida a força
seu falo não é nada mais
do que a reprodução
da classe trabalhadora
da qual tanto necessita
os capitalistas selvagens
a massa de manobra
massa de reserva
que continua a ganhar salário e morrer de fome
um simulacro de narciso
o interesse na auto-reprodução alegre
escravos da felicidade
num mundo de vencedores
não sou apenas mais um
dedicado a vida fútil das massas
a conformidade
ao fascismo de aceitar
daquele que exige dentro da norma
e se qualifica dentro do poder
anunciando por todos os cantos do facebook
EU SOU POETA!
ridículos todos vós pretensiosos
que balbuciam palavras como quem
pretensioso a alquimista
pretende lançar algum feitiço
suas palavras representam
fétidos espelhos sujos
fétidos não-lugares
reflexos de porra nos teclados e
cameras voltadas a si mesmo
tinha um mundo mas o ignoraram
assassinas criações
que só reafirmam a caretisse
o medo das
novas gerações
o medo de ser
e do mundo que tem que ser refeito
interessados em reproduzir
reproduzir sem orgasmo
armam suas espadas, sei lá
em seus cavalos de alpaca
e guerreiam sem bandeiras
por linhas tenuês de LCD
morrem para a eternidade
como se nunca tivessem existido
Melo Lola Lola Volni Luiz Pagani Junior Tatiana Balistieri
Sofistas
Penso muito sobre a domesticação humana, sobre a tecnificação do homem, sobre a neutralização da experiencia. Alguns me acusam de saudosista,por achar que em tempos antigos a vida tinha um algo mais. Mas não faz sentido pensar que nestes séculos de dominação técnifica-burguesa, algo realmente vai se perdendo, quer dizer, como diz Drummond, que ao telefone perdemos muito, muito tempo de semear?
Neste novo século não tivemos um grande poeta em evidencia. Isto é algo "sui generis", uma década sem um grande poeta. Estaria eu loco de justificar diversos péssimismos a partir disso? A interdição do discurso poético não tem nada a dizer sobre nós? Novamente Drummond, o tempo mal e o poeta mal fundem-se no mesmo impasse.
Anarquistas surrealistas franceses se debruçaram sobre a problemática da crise do sensível. Se convenceram de que sem o poema o elo mágico que conecta cosmologicamente o homem com o homem se perde. Entenderam que o cientificismo dogmatico e a sacralizacao da razão é uma ameaça constante, pois fomenta o homem-máquina, progamado lógicamente através de códigos binários para executar projetos.
O anarquismo deve transcender qualquer materialismo, afim de não permitir que a concepção de homem exclua a concepção de alma, e que o homem não torne-se um corpo simplesmente. Isto nos previne da ilusão de achar de que a igualdade material e o pleno saciamento das necessidades biologicas do corpo humano sejam algo além do que justiça, e se confundam também com liberdade ou autonomia.
Entendemos expressamente que a disputa no campo sensível, ou seja, místico e artístico é deveras um campo por excelência de atuação anárquica. Acreditamos fielmente de que sendo a realidade discurso, a linguagem revolucionaria não poderia jamais ser uma linguagem cientifica, metodologica, como se orgulham os guardiões do "materialismo dialético". Não diferente da episteme burguesa, estes glorificam a opressão biopolitica do trabalho, e acabam como os capitalistas, reduzindo o homem e todas as suas potencialidades a uma força produtiva.
Sinceramente não vejo como paredes de partidos, reuniões demoradas e disputas de eleições burguesas podem contribuir politicamente com nossa autonomia. As "vanguardas revolucionarias" de nosso tempo parecem apenas nos restringir a normatividade comoda da politica das cadeiras, e a atividade revolucionaria torna-se uma politicagem tola de agariar membros para o partido, de controlar e exercer influencia sobre o máximo possivel de pssoas, ou seja, de massas.
Não luto uma luta de classes. Não me interessa se a ditadura é do proletariado ou é da burguesia, não louvo nem condeno nenhum agente, entre Hitler e Stalin para mim o culpado é o Estado. As superestruturas burguesas são estruturas de dominação burguesas, mas os proletarios acham que podem ser estruturas de libertação proletária. O anarquismo não trabalha dentro destes termo. A opressão para nós deve-se as estruturas de poder. O dispositivo de verdade é sem dúvida o mais perigoso. Por isso somos sofistas
Poetas borrabotas
enclausuram forma e conteúdo
e capturam todo devir poético
nas suas linhas bem definidas
na sua linguagem rápida
feita para consumo rápido
A fetichização da poesia
como produtos que decoram entradas de boutiques,
como quadros reprimidos prisioneiros das paredes das madames
servindo para dissimular as grades destas prisões de luxo
não desconstruindo, mas decorando
Poetas borrabotas
servem as necessidades intrínsecas
de um lirismo publicitário
se fazendo verdadeiros
lacaios da ditadura da beleza
do amor romantico-monogamico
e da felicidade.
Volta e meia criam um slogan que cativa a massa,
e não raramente
se justificam dizendo que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Poetas borrabotas fazem poesia pra negócio
e tratam seus escritos como propriedades
adoram assinar seu nome
e o plágio lhe causa pavores,
sente que a expropriação poética é um roubo da sua "genialidade"
São significantes sem significados
"abra a felicidade"
palavras que se adequariam perfeitamente
a uma campanha qualquer
de uma empresa de perfumes
Poetas borrabotas reivindicam na poesia apenas o status de poeta,
e figuram no poema apenas uma imagem
Na rua começa a nossa história,
palavra contra os cinzas do concreto
lirimos batendo nos vidros
desfazendo a barreira entre outros
escondidos em seus antromóveis
e nós como sujeito da poesia
militantes da palavra
expansores da vida
ARTERRORIZANTES simplesmente
bando de fujões da rotina
relutantes dos conceitos de segunda, terça, quarta, quinta e sexta
expansores da vida
até que se rompa com o umbigo
até que se viva de anarquia
até que a arte seja a nossa única biografia
Foras tu, reles coração latrocinado
que se tem algo que jamais nos roubarão
é a loucura potente capaz de inventar liberdades
que nenhum genio da modernidade foi capaz
de pensar que existia
Nós passeremos
passageiros da alegria
vocês passarão
bebendo gasolina
e lendo poesia de inverdades
Quem diria que o semáforo
poderia ser uma arena
onde o rancor e arte
se encontram e degladeiam?
Ilha da magia
anuncio a trupe ARTERRORIZAR
pra que nada mais continue como esta,
até que então tudo não seja mais o mesmo,
pois mesmo para poetas
o sonho não deve nunca
ser apenas uma metafóra
Até que a poesia esteja infiltrada na massa,
e que o povo não estranhe mais entre o povo
a palavra povo.
Povoamos as ruas de humanidades
pretendendo sobretudo
desfazer o fascismo que existem em nossos corpos
o fascismo que não nos permite criar
o fascismo que é um convite
a fazer apenas o que tem sido feito
Nós somos a novidade,
o vislumbre, o improvavel
que veio a ser possivel,
a realidade a qual arrombamos a porta,
da ilha na qual atravessamos a ponte.
Com Cogumelo
Sobre o que nao falaremos
Quem ler ate o final
ganhara um pirulito
Poema coletivo,
necessidade de consenso,
gemios e virgo
dividindo marte
sobre nosso planeta,
mercurio,
sobre o nosso planeta
falaremos
(experimento poetico n1, gravando)
Sem pretexto do pretérito
sem méritos e métricas em texto
punhetizando a hiperealidade
em sentido vibratório
como um hipertexto
Arde a água na traquéia
calma que esta produzindo na minha cabeca
isso,
espontanea sede que me resta
verbo desbotado nesta fumaca liquida
nas aguas de marco
sede nas entranhas
estranhos pingos decaem do tempo
paralisados
cachaca de setembro
Voces sao uns merdas
porque nao se dao ao luxo da linguagem,
nao reclinaremos uma linha,
nao aparemos sequer um unico verso
Em seu lixo meu luxo
moribumbundo
decassilabo
multifacetado
flexivel
pos moderno
sustentavel
ecologicamente incorreto
reciclavel
intragavel
higienista
sujeirista
eugenista
nazifascista
posbarackobamista
précomunista
neofeudalista
exliberalista
próexorcista
homossexualista
antifamiliarista
travestista trotskysta
cavalos chupando bucetas
homosufragistas
piriguete elitista
funk metaleiro
anarcocapitalista
cheirar pó maconheirista
estuprador moralista
cheira cola burguesia
os pracinhas da FEB
as plebs na pracinha
bordeis, cinturões de felicidade
a insuportabilidade das palavras
você eu
você corpo
você matéria
cobra rasteira
cobra empalada
narina e carrera
escreveremos o maior poema da história da humanidade
- para que escrever o maior poema da história da humanidade? Quanta pretensão! Que bebida é essa?
- Essa bebida é bebida! Para ser.
Eu gosto de você mas não vou te comer
ogun lé oké
passa a mão sobre meu rosto
as palavras nos saem caras
o que dizer nesse momento profano?
qual verbo regogitar?
regogizar
sem enfase
categorizamos tudo!
vidros
janelas
paredes
tudo o que tem a ver com paredes
botamos em uma lista
desde os primórdios
vamos lá
areia
barro
terra
concreto
tinta
pedreiro
muro
capital
tudo o que é necessário para construir uma parede
força de vontade
para para para
o assunto não interessa aos nossos companheiros
descompanheirados
poeta dos fundos
façamos
vamos fazer uma poesia sim
que começa meio tosca
talvez até falando de amor
talvez até falando de amor
jogral poético
e o melo tec tec tec
e o tec tec melado
e o teco teco?
parem o mundo
mortadela dará uma baldada!
vamos!
peraí!! um minuto de silencio
...
Tomar no cu o leitor que chegou até aqui
não tem o que fazer mesmo.
vai masturbar tu anus
não to botando fé
está uma bosta
venderemos no sinal
um cigarro e uma cerveja.
viu como está ficando massa?
Mijos em pisos
respingos dos retos
sai daí
O que eh a poesia?
pior que isso, porque definila?
o que estamos fazendo,
eh poema, eh poesia,
eh orgia verborragica,
eh putaria linguistica?
Palavras aideticas...
Ouvindos anais
afinal, quem nao caga palavras sob o papel?
todos vomitam
vomitam
e vomitam
QUEM NAO LIMPA O CU COM A BOCA?
No meu cu,
fodeime,
rejeitar-me,
vossa moral, como atingila?
vossa prostota, calcanhar de Aqueles
O poema sinalizara
que esta pronto
quando eu esporrar pelos vidros das telas de lcd
ou das flores secas sem cheiro de amor
paraindo sobre ferteis latifundios
onde o gado se alimente
e pinheiros bebem todo alcoll
do aquifero guarana
antartica
oh, antartica
continente gelado
porque diminuiste o meu penis
enquanto japoeses malvados
matavam as suas baleias as suas baleias jubart
e restritos
ecologistas choravam a morte
de cachorros sentesiados
pelos nazistas
da carrroca dos cachorrinhos
que proclamam nundenberg
sobre pinchers
de madamaes
estericos
e esterelizados
cheio de esteroides
e hormonios de frango — com Gabriel Melo.
O Sinal Esta Fechado Para Nós Que Somos Jovens
Ai geração que não consegue enterrar o século 20. O século 20 não deveria ser exemplo ideológico pra ninguém, o século 20 é uma catástrofe. Em vez de endossa-lo deveriamos supera-lo. Nossas referencias culturais-politicas-ideologicas estão distantes de nós, e pra um outro mundo é necessario novas idéias. As idéias não voltarão a ser perigosas enquanto forem as mesmas idéias revisitadas. Mais do que bandeiras politicas, nossa geração deve ser agente do seu próprio tempo, agente do seu próprio pensamento e original na sua práxis. Disputar a história ideologicamente, e reassumir o rebelde protagonismo juvenil nas artes e na política, afim de que nossos símbolos lutas e bandeiras não sejam esquecidos e capturados pela sociedade de controle. Em vez de alienar-se em ideologias hoje distantes e apenas reproduzir as velhas idéias habituais, cabe a nossa juventude fazer o que só a juventude faz, rebelar-se contra o passado, fazer a critica da história, assumir o protagonismo de seu tempo e trazer a novidade. É necessário que busquemos novos agenciamentos, e que pautemos os reais desafio do nosso tempo, como por exemplo como combater um capital multinacional e financeiro, como fazer frente a este monstro em crescimento que é o sistema financeiro. Precisamos preparar o terreno para que sejamos agentes da nossa própria história, isto é, pra que entre nós floresça as nossas próprias referencias, e sejamos nós próprios os agentes das nossas idéias. É hora de secularizar os mártires e supera-los, não deixamos como preveniu Marx que entre nós a memória dos mortos atormente a alma dos vivos. O século XX só nos deixa lições do que não deve ser feito, e é nosso dever histórico relembra-lo não com entusiasmo, mas com receio, sabendo que os instrumentos que permitiram que todo terror acontecesse ainda estão presentes, manifestando-se de formas analogas como demonstra o Estado de Israel. Pra quem acha terrível o período "das trevas" com suas fogueiras da inquisição, saiba que os campos de concentração e bombas de destruição em massa tornam aqueles fatos fichinhas se comparados com os fatos da modernidade. O fracasso do ideal iluminista tornou-se evidente, e não se pode mais ignorar que os mecanismos de dominação modernos, como o Estado, só podem ser mecanismos de dominação, e jamais de liberdade. O sonho acabou, embora seja mais confortavel continuar dormindo. Sinto que talvez ja não haja tempo, esperança nem disposição para pensamentos utópicos, não cabe mais adiar a felicidade para o futuro, e nem esperar pela revolução para fazer do mundo um lugar melhor. Precisamos ser extremamente sonhadores, para que possamos ser extremamente pragmáticos. Criar um outro mundo e não reproduzi-lo, bolar o nosso próprio projeto e não querer realizar os que ja foram realizados. Temos que tomar o cuidado histórico para que a tragédia não se repita enquanto tragédia, temos que olhar o passado e cuspi-lo. Se insurgir contra o tempo é a maneira com que a juventude oxigena a história. Romper a tradição, enterrar os mártires. Que a nossa geração se rebele contra tudo que é velho, e desta busca, renasça na sua forma mais pervertida, renasça com seu corpo-alma festivo, poético, revolucionário e indomesticável.
Vai romper a tradição, mundo velho, não.
Para Paulo Ricardo:
O ultimo beat da old school
me perverteu lendo Ginsberg
dando-me 51 na formatura
do colégio classe média
O ultimo beat da old school
me relatou de tempos
onde a juventude
sobia morros desvirginados
para ali criar os seus rizomas
os seus mil platos
E destas geografias
fumegava
os caldeirões gnomisticos
com o cheio adocicado
e o sabor exótico
de cogumelos deusificados
com poderes mágicos
Este Beat sobreviveu
a polícia a qual sua geração
conheceu
lhe torturando o anus
dando choques em sua uretras
Pedindo relatos sobre o partido comunista,
sobre os Dzi Croquettes
Mas essa geração
foi a praia
munida de livros e vontades
soberanas
e transou
mesmo sabendo
que poderia morrer de Aids
E fez trenzinhos de imoralidade
onde o sabor supremo
da carne ereta
nao conheceu limites
de raça
nem de genero
Esta geração morreu de overdose,
em nome da pedagogia da loucura,
num lamento atemporal,
que implora, para nós,
e para a eternidade,
que lembramos,
e profanamos,
a caretice,
de esquerda ou de direita,
que sempre criou corpos dóceis
e sempre reivindicou a liberdade
para agir contra ela
O tempo mal e o poeta mau
fundem-se no mesmo impasse.
A fotografia daquele que vira a máquina sobre si,
e torna-se automaticamente
o centro sublime do universo.
Os nossos poemas,
poemas do novo século,
poemas da geração leite ninho,
chocalate em pó,
deveres de casa,
vocação e monogamia.
Nada a contribuir
com a genealogia maldita
que o dna poético
esparrama em nossa cara
através da poesias de Piva,
de Rimbaud.
Não o poema de amor
que sofre incessantemente,
mas o amor que vibra em sua essencia
por saber que sua frustação
é resultado da impossibilidade da captura
da captura do outro ser vivo
a ser reduzido
a nossa vontade egocentrica
ao nosso ideal de felicidade suprema;
Todos estes poemas no lixo,
porque são comerciais
e poderiam pacifiamente
virar propagandas de perfume,
Não fizemos nada além
do que procriar a lógica eugenista
do autor poético como o portador do sangue nobre,
como o ditador que exprime pontos finais.
Desvelar a humanidade na sua forma mais imperfeita
a qual a poucos agrada ser vista,
o rídiculo de sentir que exprime Dostoeivski,
a vontade de ser contrapondo o ríduculo de existir
como lembrava Nietzsche.
Não aquilo que pensamos,
mas aquilo que nem sequer pensamos que deixamos de pensar.
Não o possível, o provável,
mas o sonho, o absurdo,
Tudo, tudo,
em nome do poder supremo
onde não mais haverá sentido para remédios
depressivos e pessoas chorando ao telefone,
Onde a cosmologia anarquista prevalecera
sobre as opressoras,
dominantes,
mórbidas 8 horas de trabalho.
Todos nossos poemas fora,
até que atinjam a simples qualidade
de serem incapturaveis pela moral burguesa
e que passado longos tempos
permaneçam
como simbolos de rebeldia
engradeçendo
a genealogia eterna
dos poetas malditos
que é a própria
ontologia
do próprio poema.
O poeta decompõe a realidade, pois a partir de si outros milhares de poemas se fazem possíveis. O valor da poesia esta em não encerrar o tema, deixando sempre algo oculto a ser desvendado pelo outro poeta.
A poesia nunca é simplesmente, e só existe no seu contexto plural, a poesia só faz sentido em rede. A poesia só faz sentido porque sempre surgirá um novo poeta que dirá algo novo sobre aquilo que se imaginava que outro poeta ja hávia dito tudo.
A poesia nunca se encerra.
Há de ser sempre uma arte a ser descoberta,
inventada.
Um devir,
que vem a ser,
por estar sempre duvidando de si,
que se preenche
sendo incompleto.
Ninguem preenche o lírico,
porque toda alma é menor que o mundo.
O poeta,
o poeta tenta.
Por nunca conseguir há de ser a poesia
uma arte sempre eterna
E sempre haverá poesia
até que o primeiro computador
faça arte
e reduza a alma lírica
a técnica mecânica.
Por isso desprezo poetas que fazem dinheiro.
E desconfio de todo poeta
que faz questão de ser e se vender,
sob o staus de "poeta".
Escrevo porque não sou um gênio,
e na minha imbecilidade lírica
contesto o juízo de valor
daquele que te achas
algo poeticamente melhor.
Me desculpe,
mas neste grupo só temos leitores passivos
que se apressam em curtir mas nada criticam,
e poetas borrabotas
preocupados em exercer a vaidade da escrita
que claramente buscam um lugar
no trono que agora ocupa
Abreu Fernando Caio.
Que as madames balbuciem seus versos.
E que suas cabeças sejam estupidamente coroadas.
Desejo sincero de que a coca cola lhes compreenda
e que vossas palavras substituam dignamente
o tão limitado slogan
"abra a felicidade"
Veio por meio desta
o leitor frustado
que de vossos poemas só permaneceu mais dócil,
e constatou que de fato
o tempo mal e o poeta mal
fundem-se no mesmo impasse.
Nenhum malditos entre nós.
Muita imagem e pouca carne.
Vencedores, vencedores
até em vossas poesias fracassadas
Falta a palavra nova
a palavra corpo
o poema ideologia
o poema oração
o poema mantra
capaz de criar uma bolha
e nos isolar
da racionalidade instrumental.
E nos dar vontade de dançar
Todo nosso gozo é liquido,
mede dois dedos,
mede uma mão fechada,
é platonico.
Os poemas,
se inventam,
mas não estão ali
para serem vividos,
setenciados,
explorados.
São representações que nos omitem.
Confessos ideais de semi-deuses vencedores
que insistem em sofrer por amor
mal sabendo que podem alem
conquistar o mundo
para eroticamente lamber seu polegar.
Quero dessas palavras
o retrato exato
da imagem desfigurada
a qual quis marcar o nosso tempo
E redimir a nossa juventude
da caretice contemplativa
de quem se acha muito revolucionário esquerdista
lutando pelo direito liberal
do progressismo sem-terra
Quero o testemunho vivo
de quem meteu no rabo
e num grito homogêneo
reuniu através do poema
o tesão de todos aqueles que gozam neste momento,
tod@s,
ressalto.
Garota que me lé agora,
sabe que é a ti que me refiro,
e preciso confessar,
que a unha sobresaliente
do seu pe esquerdo na minha boca
consiste no suprasumo
do tesão que reivindico
com meus humildes
e a ti familiares
16 centímetros de pênis.
Me apague da sua vida,
mas saiba que sempre estarei aqui disposto
a chupar novamente
o seu dedão tingindo de vermelho
do seu pé esquerdo
que calça 37
E quando deparar a mim confrontando o poema derrotado,
saiba que se me faço duro mesmo nas letras
é na sua sombra que permaneço poeticamente ereto
Da sua voz exijo apenas uma palavra resguardada exclusivamente ao meu ouvido
e um poema
do qual apenas eu sou capaz de ler
na sua forma literal
Um poema despido
simultaneamente
secos e molhados
A fórmula do soneto
As rimas para o poeta
transitam entre o êxito e o ridículo
Pois dor esta para amor
assim como amar esta para o mar
Viver é sofrer
qualquer coisa qualquer coisa
luar
Neste primeiro momento
aprendemos como se faz um soneto
(certifique-se que você é o Baudelaire antes de tentar isto em casa)
PROJETO ILUMINISTA
Vai vem volta, vai vem volta,
carimba, carimba, carimba,
prega, prega, prega
e a maquina nao para
nem o poema
piui
producao industrial de palavras
divisao social do vocabulario
fumaça, perigos nas esquinas
corpos amassados nas ferragens,
bomba atomica,
Aushiwtz,
piui, piui,
tec, tec, tec, tec, tec, tec,
cabum,
paft,
pifit,
zum,
Venha voce
que aqui a catraca e livre
pelo menos eh o que dizem quando se compra a passagem
quem esta afim de
embarcar no rumo sem fim
do bonde sem volta da modernidade?
Passagens promocionais só de ida.
Desconto no credito e debito
so para quem tem MasterCard.
Tem certas coisas que não tem preço
todas as outras você não possui renda disponível.
Pelos anti-poderes dadaísticos que a mim foi encarnado, lhe conçedo oficialmente o direito de chamar isto que expressas de poema, entretanto, lhe tiro a propriedade de seres donos de seu significado. Restrinjo por este decreto o poder de qualquer canone de definir ou julgar valorativamente e muito menos moralmente a qualidade de qualquer expressão estética, muito menos de ousar qualificar algo como digno de ser ou não ser arte. Daqui pra frente tu, o tolo, ficarás expressamente responsável de formular análises legitimas sobre a qualidade artisticas das expressões de nosso tempo, e de qualificar ou julgar sobre os vossos termos aquilo que defines ou não defines enquanto artistico. De forma que perguntar o que é a arte consiste numa pergunta absurda, simplesmente por esperar de alguem uma resposta, e mais, achar que alguem tem legitimidade para fornece-la. Estas medidas pretendem garantir a não captura do desconceito de de arte perante qualquer julgamento racional, de modo que ninguem possa convencer alguem que acha que Tati Quebra Barraco é arte, de que Tati Quebra Barraco não é arte. É um mecanismo sofistico que permite que todos estejam certos, ou seja, errados. Desta forma tornam-se obsoletas qualquer distinção entre "alta" ou "baixa" cultura, entre arte "erudita" e arte "de massas". Estas implicações são em muito ressaltadas pelo Funk, o qual sendo teoricamente uma cultura de "massa", é sem dúvida uma expressão estética do mais alto valor artístico, algo que em algum momento envolve até os seus mais ávidos opositores, pois toca no corpo, e assim permite a ampliação da sensibilidade artistica, através de um ritmo que fomenta a desinibição da nossa reprimida sexualidade.
Implode-se o campo artístico, e desta forma desprendemos a arte da técnica. Cria-se um mecanismo que impede a sacralização, e que nao confia a ninguem exercer o poder do julgamento, da definição. Diferente da ciencia, que não forma cientistas fora das academias, a arte não se permite mais ser enclausurada dentro de formais formas e técnicas, estando certamente não só dentro mas também fora do museu ou de qualquer outro lugar a este reservada. Implodir o campo artistico.Só assim garantimos que a valorização da poesia não se reduza ao formalismo métrico dos poetas parnasianos, mas sim, desemboque nos becos marginais que nos trazem bêbados socialmente desprezíveis sensíveis ao seu tempo e geniais como nosso consagrado Charles Bukowski.
Quem faz sentido é soldado. Por este motivo o monopólio do sentido deve ser desfeito. No que tange a sentido, o poema, assim como a arte e a vida, é uma teia incessante de possíveis agenciamentos, possíveis leituras, e possíveis significados. O poema não comunica, porque nele não existe as barreiras entre emissor e receptor. Sobre ele ninguem exerce poder, o autor que o esculpiu, assim como o publico que o apreciou, ambos são em parte o próprio poema. É assim que o poema não admite nem sujeito nem objeto, pois o poema é refeito a cada vez que é lido. O poema é veloz, e transita plausivelmente dentre as mais improvaveis possibilidades, desemboca em lugares desconhecidos, além do mapa. Consegue chegar a lugares que por vezes seus “autores” nem sabem que existem, lugares que a estes não foram previamente designados.
"Para fazer uma poesia dadaísta:
Pegue um jornal.
Pegue uma tesoura.
Escolha no jornal um artigo que tenha o comprimento que você deseja dar à sua poesia.
Recorte o artigo.
Corte de novo com cuidado, cada palavra que forma este artigo e coloque todas as palavras num saquinho.
Agite delicadamente.
Tire uma palavra depois da outra colocando-as na ordem em que você as tirou.
Copie-as conscienciosamente.
A poesia se parecerá com você.
Ei-lo transformado em escritor infinitamente original e dotado de encantadora sensibilidade..."
(Manifesto Dadá de 1918 - Tristan Tzara).
O tempo se impõe sobre nós.
As poesias eram as rotas de escapes,
mecanismo de resistencias a qualquer discurso.
Não dava pra passar batido,
não dava pra fingir que não tinha nada,
não dava pra ignorar nossas experiencias.
Até então reproduziamos o mundo,
a poesia era uma maneira de não se convencer de que isso é tudo,
é uma maneira de saber que da vida a gente sempre pode extrapolar um pouco mais.
Chegou um momento em que criar o nosso mundo se tornou mais interessante que destruir o dos outros.
Na realidade que é discurso, pensavamos poeticamente.
Amavamos o mundo a medida que descobríamos a nossa possibilidade de subverte-lo
Eramos o grande clã dos insaciaveis saturados de tudo,
os beatnicks deixavam um gostinho de quero mais.
Estavamos preocupados com o presente e o futuro,
de que maneira nos libertariamos de uma vida dedicada ao trabalho?
O nosso futuro gerava arrepios, repúdios,
não poderiamos sob nenhuma hipotese virar em qualquer momento carecas e caretas,
não poderiamos nos adaptar a lógica instrumental da vida mediocre, normal, cotidiana.
Como realizariamos o ideal de vida eterna, libertina e devassa?
Não saber, não sabiamos.
A busca é o interessante,
a chegada é a necessidade de se lançar a uma nova jornada.
De qualquer maneira não poderiamos esperar dos ressentidos.
Quando me fiz gente
me nutri de razão sistemica
de valores morais,
de papeis de classe,
fui adestrado para cumprir os meus papeis,
de filho, de profissional de pai,
representava personagens sem saber ao certo
quem escrevera o script.
A burguesia até podia ser a classe dominante,
mas jamais esquecerei
que eu sou o hospedeiro do parasita.
Uma vida de devir,
um papel a realizar,
meus sonhos eram maneiras de me previnir das possibilidades
inesgostaveis da vida,
e por fim acabavam me domesticando.
O amor por exemplo,
a aceitação mais ridicula e sincera
da mediocridade da segurança de ser amado.
Eh necessario redescobrir o que é amar
Volni era o ser que foi inventado,
e desconstruilo era a possibilidade
de me ver livre de mim mesmo.
Temo me encontrar.
Amar a vida significa estar insatisfeito.
A minha luta é sobretudo contra meu umbigo.
Fiquem com meus poemas
enquanto eu ignoro a vossa melancolia.
Um projeto de vida,
neste momento é tudo que não preciso.
Uma idéia de mim,
uma simples idéia de mim era suficiente para me artificializar.
O que eu sou é uma pergunta que nunca pretendo responder.
Prefiro não saber.
Não é uma questão de ser ou não ser feliz,
na vida tudo dói, seja por falta seja por excesso
e eu não estava interessado em parar de sentir dor,
e muito menos atingir o meio termo,
morno.
NÃO É PRECISO SABER VIVER
É PRECISO SABER DAQUILO QUE NÃO SE VIVE...
Da vida que passou e não me levou com ela.
A morte não seria complacente com 8 horas de trabalho.
Ja sabemos
ganhando a vida
perdemos.
Qual a possibilidade de ser diferente?
Um poema qualquer para vidas quaisquer.
Ideologicamente Inviável
A indisposição crua da noite que se esvai. O dia amanhece como outro qualquer, e eu perambulo entre sonhos e ilusões pensando da onde provem o amargo que me aquece as entranhas. É dificil falar de nós sem recorrer ao saudosismo, é dificil falar de mudar o mundo sem parecer piegas, romantico, ultrapassado. Estamos ficando deprimemente realistas, pragmaticos, e isto pode ser um cancer que atinge em cheio a nossa fraqueza emotiva e geracional de jovens que se bastam com uma nova e mais recente marca de celular. As ruas só conhecem nossos passos dentro daquilo que foi estipulado pela rotina, e até quando queremos subverter, tememos ferir o direito constitucional democratico do direito de ir e vir burgues, tudo dentro dos parametros, dentro dos calculos, dentro da teoria, dentro da ordem. Penso numa atitude politica mais profana, mais poética, mais impulsiva, algo que nos restitua a nossa coragem e vontade de gritar. As notícias passam no jornal, e a história é um pontinho verde debaixo do calcanhar do elefante branco. Obviamente ficamos incomodado com o estado das coisas, mas o sentimento de impotencia parece ter ser impregnado sobre nós e nos restituido e condicionado a fazer isso que eu estou fazendo agora, xingando muito num fanzine que não será lido por ninguém. Quero ver a nossa geração pixar as paginas da história, restituir a garra juvenil que não pode ter sido sucumbido nos porões da ditadura que marcam a nossa história. Sinto todo mundo mais ou menos, sem poder reclamar porque esta de barriga cheia mas sem poder dizer que esta realmente feliz, satisfeito, completo, porque não seria verdade. Fico pensando se sou eu, ou se é o mundo, mas não existe essa dicotomia dialética como uma fronteira bem estabelecida entra uma nação e outra. As duas coisas se confudem paulativamente, e eu não posso escolher ser apenas um nesse emaranhando de coisas, eu e o mundo somos uma coisa só, um existe enquanto corpo, outro existe enquanto alma. Não posso mais suportar essa temperatura morna da banalidade cotidiana ao qual sou causa e consequencia. Mudar o mundo, sim, me parece justo, mas ao mesmo tempo, jogado na imensidão da praia quem acreditaria num simples grão de areia? Tento me reduzir a minha insignificância sem que para isso precise me subtrair, por mais que ainda queira mudar o mundo não deixo de pensar que essa é uma idéia ridicula, megalomaniaca demais. As coisas me parecem de uma trivialidade incessante, hoje em dia pouco coisa me emociona, e eu resguardo para os filmes holywoodianos tudo que sobrou de minha sentimentalidade. O mundo passa batido, e eu tento não pensar nisso pra não me abater com ele. As coisas atingiram tal nivel de grosseria que nos resignamos no nosso mundinho de alice no país das maravilhas só que desta vez sem cogumelos e com remédios faixa preta. Quero ver surgir os novos poetas, quero dentro de uma intenção até marxista adotar a perspectiva weberiana e reencantar o mundo. Sim, acho sinceramente, e voce tem toda razão em dar risadas, que precisamos desesperadamente reencantar o mundo. As coisas precisam voltar a ter cores, as flores cheiros, e os doces, sabores. Parecemos zumbis cambaleando de um lado para o outro se alimentando de sensaçãoes baratas, de amores que só duram uma noite, numa gula incessante que em vez de nos entupir nos esvazia. Realmente não sei o que esta acontecendo, apenas sinto, sinto as pessoas se arrastando pelos dias como num labirinto sem saída, e as igrejas lotadas em busca de pessoas tão confusas quanto nós cansadas de buscar uma resposta por conta própria. Tempos díficeis os de agora, não dificeis como eram na epoca das ditaduras ou das grandes guerras, não dificeis como na inquisição ou na peste negra, dificeis porque sem inquisicao ou grandes guerras ainda não conseguimos achar a plenitude. Vida de mercado, sensações expostas para consumo rápido na pratileira, e a lógica do consumo é sempre querer mais e nunca estar satisfeito. Realmente não sei o que acontece com nós, ou talvez, apenas comigo, o fato é que estamos todos juntos nesse naufrágio, e em vez de correr em direção aos botes eu gostaria que parassemos para tragicamente ouvir os violinistas. Estamos nos tornando androides, maquinas, seres estritamente racionais incapazes de sentir para alem de qualquer sentimentalismo barato e individual, não somos mais uma humanidade, somos uma porção de individuos enfileirados um ao lado do outro. Com minha escrita, tento resgatar a minha sensibilidade poética e tomar coragem de expressar a minha humanidade perante um mundo de vencedores. Antes tinhamos poetas, hoje temos escritores de auto-ajuda, o que isso tem a dizer sobre nós e a nossa realidade? Talvez mais do que nunca precisamos creer no impossivel e creer na nossa crença. Sonhadores são uma espécie em extinção. É preciso mais do que nunca uma poética estratégia revolucionaria. Reaprender a amar as coisas nas suas nuancias impercpetiveis, ou sei la, eu não sei qual o problema e muito menos qual a resposta. Sei que a história se passa e é como se não tivessemos mais ali, é como se do mundo fossemos como em todo resto meros consumidores, esperando os enlatados prontos para escolhemos o preço adequado das liquidações chegar em casa, abrir, e amanha voltar para comprar outros. Adorno falava acho que pelos anos 30 que o homem atingiria tal nivel de racionalização que a poesia não seria mais possivel, por sorte esse tempo ainda não chegou, e não chegou porque agora eu, tu, nós, ainda estamos aqui insistindo em estar aqui, nas nossas limitações e alucinações mesmo que inconsientemente sabemos malucada do novo século que o fardo do mundo recai sobre nós. Sem nós, quem estaria escrevendo poesia, fazendo fogueira, cantando gonzaguinha bebado em plena segunda numa praça publica, se isto parece insignificante para ti, se tranque com seus amiguinhos comunistas dentro das paredes do partido e veremos no que pode fazer melhor, são dois lados da coisa talvez inconsiliaveis, mas ambos, é duro admitir, de extrema importancia. Precisamos urgentemente de novos sonhadores e novos idealistas, não adianta esperar que as idéias voltem a ser perigosas, elas não voltarão, e não voltarão a ser perigosas, o mundo não vai caminhar para que se vista nas nossas idéias, queremos que o mundo mude, movimente-se, mas nossas idéias estão estaticas. As idéias não voltarão a ser perigosas, a menos que surjam novas idéias, mas quem ainda vive de revolução russa não gosta de ouvir isso. Como pode aqueles que se determinam dialéticos não mudarem nunca?Estou farto dessas historiazinhas com aval cientifico que se dizem capazes de mudar o mundo, as vezes penso que aquilo que surgiu para nos levar para frente so nos carrega para tras. Quem não pode se render a abstração da linguaguem poética precisa de formulas que jamais poderão dizer aquilo que ja não foi dito. Contra o pragmatismo da ordem, a impulsividade do caos. Quando não existir mais poesia e o mundo se render a um generalizado eu quero tchu eu quero tcha, teremos a nobre missão meu amigo, apenas eu e você, de sentir saudades. Por isso, perante a constatação sórdida da realidade fria, não podemos nunca deixarmos nos abater.Somos, eu e tu, constatada e identificada insignificância, fundamentalmente necessários, e por isso permaneceremos vivos. Que venha o século vinte e um, enquanto desembainho a minha espada.
No Entanto
O livro da vida
não passa de um caderno de rabiscos
Haja tinta para colorir
todas as folhas
haja paciencia
no entanto
para não atira-las
fora
Mas não da pra atira-las fora
o livro da vida
não passa de um caderno de rabisco
no entanto
contém apenas uma folha
E por ter apenas um folha
ainda torna-se possível
no entanto
virar a página
Confúcio
O cara nasce judeu na Alemanha da década de 30
e reencarna tipo, sei lá,
na Palestina dos anos 2000 (pra falar de atualidades) totalmente sufocada pelo Estado de Israel
esse cara não deve estar entendendo nada
esse cara
deve ser
mais Confúcio do que eu
"Da força à injustiça há só um passo.
Confúcio"
O mundo tava virando uma merda. Nada de poesia, nada de poetas malditos. Jovens revolucionarios indispostos a lavar a louça, a quebrar a unha. Escrever era uma possibilidade de se perder, mais, de se reecontrar. Deveriamos ser a medida do mundo que desejavamos, não era fácil, muitos velhos barreiros foram sacrificados em nome da alegria de até mais tarde.
Inventavamos o nosso palavreado. A nossa língua estava por ser redescoberta. O mundo exigia a grafia nova, a busca incessante pelo significado, a necessidade de romper a obsolencia de novidade caracteristico de tempos pós modernos.
Ter uma carta na manga. Juntos poderiamos mais, distraidos venceriamos. Em tese é claro. A noite que se adentra na busca da estetética do novo século, queriamos estar em toda e qualquer pixe da cidade.
A poesia não exigia apenas criatividade. A poesia exigia conduta. Era preciso escrever sobre aquilo que se pisava, era preciso se desalienar do discurso, e falar de nós mesmos.
Insistíamos na escrita como propostas de rompimento do nosso prósprio território, e nossos poemas aspiravam estar além da nossa imaginação. Deveriam exprimir desejos, e com isso, serem propostas desafiantes, perguntas que questionam, porque não?
A poesia não era uma escrita, era um evangelho, uma pregação. A poesia vivia toda a vida que não tivemos caraudacia de criar para nós... Naquilo que extrapolamos reflexos dos nossos limites.
Uma sensação que nada não nos bastava mais. Uma sensação que toda poesia que expressamos era um crime, vive-la seria a solução, a ideologia suprema. A catarse coletiva do placebo comunitário que faz do poema biografia.
Era hora de separar o joio do trigo e olhar a cada um nos olhos. Nos dividimos em dois grandes grupos: aqueles interessados em viver a poesia de verdade, aqueles interessados simplesmente em ser poetas.
Ja não me convencia com a banalidade crua da normatividade cotidiana. A vida ensinada não me interessava mais. E os poemas lidos, foram relidos, basta das velhas palavras.
Eis um ponto em que o louco diz basta.
Eis um ponto em que o louco assume a responsa
e promete:
nenhuma realidade provável além daquela que eu próprio declamei
Antes de viver o mundo
lhe molda-mos com as nossas próprias digitais,
eis o mundo há ser vivido
é uma escultura
moldada pelo desejo de poema coletivo.
Sejamos jovens a altura de nosso tempo
sejamos jovens rebeldes com a propria rebeldia
sejamos jovens a altura de nosso tempo
sejamos militantes da poesia,
e vivemos o mundo que bem entendermos.
Resgatar a vida,
eis o dever da poesia
no momento de redescoberta dos poetas
Criar o impossível,
é coisa improvável
por isso nos superamos
PRAGMATISMO POLITICO: MANIFESTO DIONISIACO ANTI-MANUAL DA GERAÇÃO
QUE SE NEGA A COMETER SUICIDIO EM VIDA E PENSA POLITICAMENTE LEVANTANDO A BANDEIRA DA LOUCURA, OU SEJA, DA ANTI-NORMATIVIDADE.
0- POEMA MEU. MAS EU ERA MUITOS. E TODOS NÓS ERAMOS VÁRIOS.
1- PLANTAR MACONHA NAS PRAÇAS PÚBLICAS CULTIVANDO A ERVA MUNICIPAL
2- SAIR AS RUAS VESTIDOS DE ÍNDIOS DECLAMANDO POESIAS DE ROBERTO PIVA
3- SE ENCONTRAR NA FRENTE DA CATEDRAL AS 15 DA TARDE DE SEGUNDA FEIRA PARA BEBER CACHAÇA VAGABUNDA E CANTAR GONZAGUINHA
4- ESCREVER POEMAS PROVOCATIVOS GERANDO A REPULSA MORAL DE TODA SOCIEDADE E SE POSSIVEL DA SUA MÃE
5- TRANSAR POR TRANSAR DE PREFERENCIA SEM CAMISINHA COM QUALQUER DESCONHECIDO
6- REIVINDICAR A PRESENÇA DE FLORES EM QUALQUER ESPAÇO PÚBLICO
7- FAZER DE SI O IMPROVÁVEL E SAIR AS RUAS SÁBADO DE MANHÃ ABRAÇANDO AS VELHINHAS DA RUA
8- SEQUESTRAR UM FASCISTA HOMOFÓBICO E CHUPAR O PAU DELE,
TORTURA-LO DE PRAZER
9- IR ACAMPAR NA LAGOINHA DO LESTE E PROVAR EMPIRICAMENTE A POSSIBILIDADE DO GRANDE AMOR UNIVERSAL E COLETIVO NUMA SURUBA EXPLICITA
QUE NÃO TERÁ EQUIVALENTES EM NOSSA GERAÇÃO
10- LOUCOS DE TODAS AS DROGAS POSSÍVEIS SUBLIMAR A RAZÃO INSTRUMENTAL EM BUSCA DO EU SIMBÓLICO A MEDIDA QUE SE LE ALLEN GINSABERG
11- DESFAZER A SACRALIZAÇÃO DA PROSTOTA E MASTURBAR O CÚ EM PROTESTO A PLATÃO
12- BUSCAR A EMANCIPAÇÃO DE SI, MESMO QUE - E POR ISSO MESMO - SABENDO QUE ELA JAMAIS SERÁ ALCANÇADA, SABENDO QUE A MORTE CRIATIVA É SEMPRE UM PROCESSO DOLOROSO DE ABDICAÇÃO DO EU EM BUSCA DO VIR A SER
13- REBATIZARMOS TODOS COM NOMES QUE CONTEMPLEM A NOSSA NAUSEÁ DO MUNDO: NOS CHAMAREMOS PECADO, BIOLITÍTICA, NEGRO MORTO
14- QUEM NÃO SE DÓI NÃO SE SENTE
14- RESGASTAR AS POSSIBILIDADES CÓSMICAS DO HOMEM DESFAZENDO A CIÊNCIA COMO UM DISCURSO LEGITIMO DE UMA REALIDADE IMPROVÁVEL
15- REJEITAR TODO O OURO E NOS CONTENTAR COM O LIXO. COM O NOSSO LIXO.
16-PASSAR DOS 27, PERMANECER VIVOS, EMBORA OVERDOSES SEJAM HERANÇAS PEDAGÓGICAS
17- PEDIR EMPRESTADO DO SISTEMA E NUNCA MAIS DEVOLVER
18- É O 17. SE ENDIVIDE.
19- FAÇA AQUILO QUE VOCÊ É INCAPAZ DE PENSAR EM FAZER
20- TENHA ALGUMA HISTÓRIA PRA CONTAR
21- PASSAR A MÃO NA BUNDA DO POLICIAL E DO PADRE E, PERANTE CACETADAS E SERMÕES, DIZER: JAMAIS TERÃO
22- MARX DE CU E HEGEL SARTRE NA AGUA E VAI TOMAR NO TEU FOUCAULT PORQUE A VIDA É FREUD E TA TUDO DELEUZE
23- CONVIDE SEUS AMIGOS PARA LOQUEAR E AS 04:49 DA MANHÃ POSTE PROPOSTAS POLITICAS
24- SEJA VIADO, CASO NÃO CONSEGUIR, SEJA UM HETERO PASSIVO.
25- NOS PROCURE NA CAVERNA-
26- AQUI ACABA NÓS E COMEÇA VOCÊ
27- EXISTA.
28- CERTIFIQUE-SE QUE VOCÊ É FILHO DO EIKE BATISTA ANTES DE SER DIREITISTA
29- ESTAMOS FUDIDOS
30- O MUNDO COMEÇA AGORA,APENAS COMEÇAMOS
31- SEUS POETAS ESTÃO MORTOS
32- VIVER É UM PRAZER, MESMO NO SÉCULO XXI
33- JESUS MORREU COM ESTA IDADE. SEU SANGUE NOS ALCOOLIZA. LOUVADO SEJA
34- REALIZAR OS 33 PONTOS ANTERIORES
35- SOCAR O POLITICAMENTE CORRETO NOS CÚS DOS RAFINHAS BASTOS
36- A LOUCURA COMO TRANSGRESSÃO DE SI MESMO
37- 04:59 DA MANHÃ
38- OUVIR CAZUZA
39- OUÇA AS RECOMENDAÇÕES DA LUI
40- VIVA SEM PRECISAR DE MÉTODOS
41- UM VICIO PRA MIM NÃO BASTA
42- MARIQUINHA
BUSCAR O INTERMINÁVEL FUNDO DO POÇO
43- CARALHO JA ESTAMOS NO 43
44- TAH, E AEW?
45- FALTAS PALAVRAS PARA O QUE SE SENTE
46- SOBRA EMOÇÕES DO QUE SE VIVE
47- E VIVEMOS?
48- LENINIMISMO X ETNOCENTRISMO
49- ESTAR VIVO
50- PASSAMOS O PONTO
51- MAIS UMA DOSE É CLARO QUE TO AFIM
52- DA POESIA QUE A GENTE NÃO VIVE TRANSFORMAR O TÉDIO EM BEBEDEIRA
53- FAZER DA POESIA IDEOLOGIA
54- VIVER SOBRETUDO SEM LIMITES
55- EXPLANAR RESQUICIOS DA LOUCURA
56- ESCREVER A BRISA COLETIVA
57- DISPUTAR A ESFERA PUBLICA
58- NÃO FICAR CARETA NEM CARETA
59- ESTAREI LOUCO ENQUANTO O CÉU ESTIVER AZUL
60- MALUCOS SOMOS A MOLA DESTE MUNDO MAS NUNCA IREMOS TÃO A FUNDO NESTE DILEMA TÃO PROFUNDO
61- O COTIDIANO É O VERDADEIRO INIMIGO.
62- INVENTAMOS O MUNDO.
63- SOMOS O GRANDE COLETIVO DOS DESPOETAS DESORGANIZADOS
64- SEM A ARTE VIVER SERIA IMPOSSÍVEL
65- O MELHOR DE TUDO QUE AINDA TEMOS CIGARRO
66- VOLTARIAMOS AO 1917 RUSSO SÓ PRA AMAR OS MARXISTAS
67- SÓ QUE NÃO
68- PARECE QUE SOBREVIVEMOS ATÉ AQUI.
69- PENSAR COM A NOSSA PRÓPRIA CABEÇA
70- REDUZIR O PASSADO AO PASSADO
70- PEGAR O SÉCULO XX, APAGAR A LUZ E FECHAR A PORTA...
71- DESTRUIR O MUNDO CAPITALISTA
72- A MORTE CRIATIVA. DEIXAR DE SER
73- UM MUNDO ANTIGO ERA TÃO PROVÁVEL QUANTO UM MUNDO NOVO
74- SER DONOS DAS NOSSAS PRÓPRIAS NARRATIVAS
75- SER AGENTES DO NOSSO PRÓPRIO MUNDO
75- NÃO REPRODUZIR
76- SERMOS AGENTES E SUJEITOS DE NOSSO PRÓPRIO MUNDO
77- CONSTRUIR O MUNDO PARTINDO DO IMPROVÁVEL
78- SOMOS RETARDADOS
79- GUINÉ BISSAU, MOCAMBIQUE E ANGOLA
80- ANTES NÓS DO QUE LUAN SANTANA
81- RETICENCIAS
82- NINGUEM AGUENTA MAIS
83- FARRAPO HUMANO
84- O ANDRÉ É O NOVO POETA DA TRUPE
85- NOS JULGUE, MAS NÃO NOS ENTENDA
86- NÃO MATARAS
87- HONRE PAI E MÃE
88- NÃO DESEJEIS A MULHER DO PRÓXIMO
89- AMAI DEUS SOBRE TODAS AS COISAS
90- AMAIVOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI
91- USE DROGAS. É IMPORTANTE
92- BEBA CHIMARRÃO
93- LEIA O LIVRO UNIVERSO EM DESENCANTO
94- SÓ QUE NÃO. BEBETO E ROMÁRIO.
95- ABRE AS PERNA QUE EU TE FINCO
96- BASTA EU NÃO SER VOCÊS
97- VOLTA O PLAYBOY PRO SEU PATINETE
98- TA NA HORA DE MOLHA O BISCOITO
99- FASCISMO DE ESQUERDA
100- PAPEL HIGIÊNICO
att:
atos dos apóstolos
capitulo um versículo cem
Derruba-se uma pipoca,
um pedaço qualquer mínimo de chocolate vagabundo,
uma fagulha de um pão de centeio,
farelos de restos dos últimos grãos da despensa,
não importa a sujeira,
muitos aspiram pó,
muitos tem aspiradores de pó,
mas nada representa a eficiência
dele o Labrador do Bigode
Muitos contestarão o seu alheio utilitarismo
mais devo dizer que pelos séculos seguintes
no que refere-se a eficiência de limpeza doméstica
nada será capaz de compensar
ele que não rejeita qualquer migalha,
ele que come tudo que você jamais imaginou que um cachorro poderia comer,
eu estou falando dele,
o nosso cachorrão.
Eu estou falando dele,
o nosso labrador,
liricamente lhes apresento
o nosso monumento
eficiência e amor
eis a melhor coisa jamais inventada pelo homem
acabe com os problemas domésticos
doe ração
para o nosso
aspirador de Thor,
o magnifico labrador,
o divinissimo cachorrão.
sabe quando tudo eh um sic na garganta
sabe quando as palavras nao representam mais nada
sabe, esse momento exclusivo
que o poema se faz desncessario
que apenas revela o que todo mundo sabe
nos meus 23 anos nesta terra
agradeco a forca dos meus orixas
porque quando nos reunimos
e nos beijamos
em 4, 5, ou 6
talvez em mais
escuto o mundo dizendo
mais loucura seus loucos
saibam que sem voces
jovens de brilhos intensos nos olhos
as causas eternas da humanidade,
a revolucao, a liberdade, e o amor
viram conceitos vazios
viram propagandas de refrigerantes.
Eu estive entre os homens,
deus me deu um corpo,
e eu quis fazer tudo com ele
antes de eu morrer
precisava estar vivo
e estive
por causa de voces
meus amigos
anarquistas
bixas
drogados
alcoolatras
voces sao ha esperanca do mundo,
a minha tambem
Descer a este planeta
e se misturar entre os homens
não ignorar suas causas
e se misturar na lama
esta substancia sagrada
da qual fomos feito.
Poise, parece meus caros,
que aqui estamos, e segundo me consta,
meus caros,
aqui todos queremos permanecemos
correto?
Quando eu entender o problema da fome
ja era
fui capturado
tomei parte
se tornou compreensível pra mim
adotei a lógica do colonizador
Se eu for ter que entender essa questão
sou obrigado a acreditar em homens muito malvados
e barrigudos
nesta hora bolando o novo plano pra foder com a humanidade.
Luz,
Iluminati?
Ainda não pude me decidir se a humanidade é um gesto maquiavelico e bem planejado de alguns poucos
ou é apenas uma sucessão de ensaios e improvisos incontrolaveis
Os problemas do mundo ja não se resumem mais a imagem de alguns poucos homens,
chamem os caça fantasmas
e evoquem todos os hackers
porque o inimigo agora
é um ectoplasma digital
e o poder são dados
trancafiados num hd
Sera necessário amplo conhecimento de magia
Advirto
Vossas poesias lhe soam fáceis
e parecem ser antes fruto do conforto do que da angustia.
Só eu escrevo louco nessa merda,
só eu digo com todas as letras
o tesão de masturbar o anus vendo videos de travecos?
Só eu tenho coragem e rancor para romper comigo mesmo,
e ir no amago do que é ser humano
como os grandes fizeram?
Vocês parecem gostar do que é facil,
compreensivel e tragável,
e seus curtir não correspondem sincronicamente
as suas críticas.
Meu Deus o que tenho que escrever
para fazer você ficar puto de raiva,
o que fazer para você desejar nunca ter lido o que escrevi,
e postar de comentário xingamentos infinitos?
Parece que só o sexo ofende,
por isso gosto de falar de cú,
porque no cú se guarda a moral, o prazer, e o medo.
O cú é o limiar da vontade com a cultura,
é o que nos sobrou de sagrado
para profanar
e por isso masturbo.
E mais, tenho vontade de tirar cabacinhos virgens,
e o faço tudo isto e escrevo
usando drogas,
me viciando,
declarando amor a cocaína.
Caberia num poema falar do tesão que sinto por tudo que não presta?
Meus poemas tem sido inuteis porque a terra continua a mesma,
ninguem se masturbou me lendo e por isso me sinto fracassado
não me chegaram relatos de ninguem
que após me ler cometeu uma loucura,
os que gostam são passivos ou então ja sabem do que eu falo,
mas me torno ridiculo
porque no mundo angustiante e pertubado que trago
sou sucumbindo por um milhao de poemas felizes
que desqualificam minha vontade de implosão,
e logo eu,
que tentei fazer da poesia um rito
não pedindo nada além
do que infinitas formas de loucura.
Poemas vencedores vocês tem,
que até quando sofrem sofrem bonito.
Nenhuma ruptura, transgressão ou revolta,
na poesia que podiamos tudo,
bastava queremos
fomos os mesmos andróides
reproduzindo o mesmo mundo.
Estou farto do seu amor e dos seus conselhos
estou farto da sua imagem e do que você representa
estou farto das suas frases de outdoor.
Neste momento da humanidade
todo poeta a serviço de maquiar a realidade
é um usurprador.
Ou o poema é um fuzil,
ou então é uma flor
é uma máquina de guerra
ou apenas um enfeite de jardim
servindo de objeto decorativo pra um mundo cada vez mais merda.
Queres amor,
eu chupo seu rabo.
Queres romantismo,
não tem problema
te estupro com carinho.
Poema Resposta
Arte é aquilo que inspira mais arte,
vai te retro guardiã do templo
que nesta pedra não se edifica sacerdotes
e sob esta linguagem
ainda ninguem foi capaz de decretar
palavra proibida
ESTUPRO
ESTUPRO
ESTUPRO
Você não precisa ser a vitima
para sofrer a violência
o poema talvez
foi o que te deixou mais próximo
desse fato cotidiano
e por um momento
te transformou no outro
sendo o outro você revoltou-se
mas sua revolta não é com o poema,
sua revolta é com o real que há por trás
seu desconforto é digno
do encontro inóspito
da angustia com o mundo
que é dever da arte promover
A arte também é violenta
e repulsa sempre será um desocultamento
digno de ser promovido num poema
Em suma de alguma forma o poema mexeu contigo,
espero que agora a palavra ESTUPRO
contenha um significado mais forte pra você
Marques de Sade, beijos.
O refazer dos dias sobre a terra me aparece analogo agora,
a bituca que sufoca em meu cinzeiro.
O queimar do cigarro,
condicionado pela optica do instante
Soa como metafora perfeita dos tempo que nos foi dado,
e consome-se quente, no cinzeiro,
feito os dias que tragamos sobre a Terra.
E nos aqui em pleno auge da historia,
responsaveis diretos pelos fatos que nos sucedem
empilhando os corpos de vitimas que partem com antecedencia,
enquanto na rua,
outros tantos moribundos,
viciados ou trabalhadores,
se arrastam para quem sabe um dia edificar de vez a sua carcaça,
leia-se vencer na vida.
Impressiona, neste seculo, o cinismo daquele que faz odes ao progresso.
Nos ainda tao mesquinhos, tao predatorios, tao capitalistas.
Nos ainda tao pequenos, regando afoito nossas pequenas vaidades,
empilhando nossas quinquilharias, balbuciando clemencias metafisicas,
exigentes,
frustados com promessas individualistas,
da obliquidade egocentrica,
da solitaria felicidade absoluta,
que talvez, alguma vez,
se deu ao luxo algum budista.
Pelas barbaries do profeta.
O refazer dos dias sobre a terra me aparece analogo agora,
a bituca que sufoca em meu cinzeiro.
O queimar do cigarro,
condicionado pela optica do instante
Soa como metafora perfeita dos tempo que nos foi dado,
e consome-se quente, no cinzeiro,
feito os dias que tragamos sobre a Terra.
E nos aqui em pleno auge da historia,
responsaveis diretos pelos fatos que nos sucedem
empilhando os corpos de vitimas que partem com antecedencia,
enquanto na rua,
outros tantos moribundos,
viciados ou trabalhadores,
se arrastam para quem sabe um dia edificar de vez a sua carcaça,
leia-se vencer na vida.
Impressiona, neste seculo, o cinismo daquele que faz odes ao progresso.
Nos ainda tao mesquinhos, tao predatorios, tao capitalistas.
Nos ainda tao pequenos, regando afoito nossas pequenas vaidades,
empilhando nossas quinquilharias, balbuciando clemencias metafisicas,
exigentes,
frustados com promessas individualistas,
da obliquidade egocentrica,
da solitaria felicidade absoluta,
que talvez, alguma vez,
se deu ao luxo algum budista.
Pelas barbaries do profeta.
TEXTO ESCRITO EM CONJUNTO PELO BANDO ARTERRORIZAR
A AMEAÇA POLITICA
DA POESIA QUE ESCORRE NOS SINAIS
E LEVA A NOSSA IDENTIDADE
DE ARTERRORIZANTES
Somos os vivos & lamberemos teus olhos
Zines escorrendo na cidade. Corpos híbridos, sem ética na estética. Disputa revolucionario no campo do sensível. Oportunidade de romper as fronteiras do provável. Vagabundagem lirica estruturante e estruturada. A libertinagem que reinvidicamos poéticamente. A pedagogia de criar a vida que se vive. O impulso de chegar despido sem pedir licença. A deliquencia juvenil revertida em folha de papel. Os olhos brilhantes que renascem e buscam desesperadamente o cruzamento dos (entre)olhares. A descoberta gostosa que fora das paredes da universidade e do escritório a vida segue e aflora sobre as mãos de quem a cultiva. A frustração de saber que os muros sociais imaginários machucam mais que concretos. O tesão( alimentado a cada frustração) de bater nossas cabeças cheias em muros ocos. e quebrá-los. e atravessá-los. A força da memória que não deixa esquecer os escombros que nossos pés pisam e deixam para trás. Ir pra rua escrever a nossa própria história, enfrentar nossa própria fraqueza. e inventar forças. sonhos. Criar corpos inomináveis como sua organização, e (re)inventar nossos sexos e nossos corpos para que jamais gozemos sem tesão. E gozar a vida em toda sua exuberância e efemeridade. Fazer do cotidiano o que é comumente chamado de “peça de teatro” e rir quando ouvir que a arte é um hobbie. Mostrar o quão ridiculo é o medo de ser julgado, viver com uma insegurança que nem conseguimos explicar. Quebrar normas impostas em nosso desenvolvimento como HUMANO. Ser burro para não morrer de certeza, não morrer de tédio, pra não sabotar meu corpo por meia duzia de virtudes mijadas. Ter um corpo lindo, gigante, de pedra e vento. Ser desconhecido entre convictos, sensatos, pai's de família e meus conhecidos. Dançar valsa em meio ao marulho do tráfego e ser simpático fazendo zombarias no escuro dos isofilmes. Praticar formas de amor inenarráveis e se espantar quando dizem que é absurdo. Estampar-se (i)rotineiramente. E sentir quando, no que parece um simples encontro, tomar a proporção de uma eterna erupção no todo que habitamos. Nunca hesitar em sair de si, pois somos feitos do absurdo que não tem “vergonha” na cara. E nossa religião é a plena satisfação de rompermos a indiferença num sistema caduco que nem entende o que buscamos; não pq não querem, mas pq não compreendem a absoluta satisfação de (simplesmente) ser – por inteiro – corpo e alma unificados numa comunhão tão singela que entende a vida como um orgasmo de um sexo muito bem sucedido.Somos os vivos & lamberemos teus olhos. Arrancaremos as ramelas, as poeiras, os ciscos & as traves. Somos os bruxos de sexo equívoco: lamberemos teus olhos até que vejas o maravilhoso. Somos o maravilhoso invadindo cubículos motorizados. Nossa maravilhosidade não pode ser contida por roupas rotas, rolhas, trapos. Um rei se veste como quer. Lamberemos teus olhos até que digas AH! & brindaremos às estrelas pela criança que obteremos de tuas entranhas. Somos putas & viados, somos loucos, somos a cabeça da Hidra, mas o veneno de nossos cabelos é a alegria contagiante dos viventes. Você nos vê, não nos vê, não nos pega, mas nós assaltamos sua geladeira cardíaca e te preenchemos com ambrosias insuspeitáveis. Estamos nas ruas & te amamos.
BANDO ARTERRORIZAR
TEXTO #1
Radicais do Pouco, Radicais do Pouco
Ressentido do discurso flácido. Juristas das clausulas da liberdade. Militantes da esteira de produção, dos corpos docéis. Monogomistas do sadismo tediante. Convictos e pregadores das leis da física. Saudosistas do método cientifico. Sacerdotes do materialismo dialético. Expropriadores das relações de opressão modernas. Servos do ideal iluminista. Carpideiras dos heróis. Monopolizadores da rebeldia. Bolchevics sub-tropicais. Candidatos de eleições frajutas. Colossos na luta entre os próprios. Revolucionários das migalhas. Guardiões da verdade. Radicais do pouco, radicais do pouco.
Da mesma analise concreta da realidade se parte mil leituras. Proletarios do mundo uni-vos não foi possivel, porque entre trotsky e stalin o marxismo ja não é tanta certeza, a realidade é mais complicada que o seu correspondente método.
O bando ARTERRORIZAR denuncia os guardiões do templo do Estado e do Mercado. E ja frusta burgueses e comunistas: a nossa arte é um mecanismo anti-trabalho. O único excedente que produzimos é poesia. A mais-valia para nós não vale nada. O capital e o trabalho, para nós, são monstros do mesmo inferno. Anunciamos que fazemos arte como possibilitador da continuidade desta nossa declarada greve geral e eterna.
extra-terrestres
Inspirado em discussões com o bando arterrorizar
Tudo que é previsível pertence ao campo da ordem e ja nasce capturado. Resistir é romper com os scripts. Por isso a anarquia não se edifica sob fórmulas, deve sempre ser reiventada, e quanto mais imcopreensivel enquanto tal mas invisivel e portanto eficiente. O sistema embora determinado por uma relação economica se reproduz sobre as relações humanas. Marx ja dizia sabiamente que o capital é uma relação entre homens. E é esta relação que devemos romper. Criar e possibilitar outras formas de vida dentro de um sistema que supostamente nos impõe um modelo de vivencia é o desafio. Devemos ser capazes de no cerne desta sociedade erosada criar um modo de vida exuberantemente colorido. Tal e qual a revolução burguesa, a qual consolidou o regime burgues e não o inventou, devemos criar a vida nova e vivencia-la, para só então consolida-la politicamente, se necessario. O capitalismo cairá quando cair em desuso. Se não podemos romper com ele totalmente, podemos ao menos parar de fomenta-lo. Criar realidades possíveis é a melhor maneira de sucumbir com uma realidade que se impõe como a única possível. Se não podemos fugir, não necessariamente temos que endossar, não necessariamente temos que ser engranagem, e se formos, não necessariamente devemos girar a engrenagem pro mesmo lado que ela tem girado.
O Quilombo não rompe com o sistema. Mas dentro daquela TAZ, e somente dentro dela, a liberdade existe e é possivel. Pelo mesmo motivo os farrapos de Canudos devem ser rapidamente eliminados. As bolhas dentro do sistema incomodam mais do que as bolhas do lado de fora. Resisitir é inventar, criar vida da onde não se espera que ela surja. Por isso os artistas anarquistas são o cerne da emancipação do mundo de hoje. Eles devem criar o impossivel. Eles devem estar livres, e a medida que se libertam todo o mundo se liberta junto. Não devem impor a liberdade, apenas torna-la possivel, de forma que um modo de vida seja cada vez mais fruto da escolha do que da imposição. A forma da liberdade é a forma de um convite para uma festa extremamente louca, alguns aceitam, outros não. O céu é o limite. Por isso sejamos antropologicamente extra-terrestres. Por isso povoamos a Terra como se estivéssemos, nós, colonizando o virgem Marte.
Viva Zumbi. Livres antes e acima de tudo. Livres independente de ter ou não ter alforra.
Oremos
Oremos e brindamos a maravilhosidade da vida
a perversão dos santos
a profanação do sagrado
Oremos a criação do humano
impio e divino
Somos dádivas na Terra
somos o ódio dos fascistas
somos pai filho e espirito santo
somos a santíssima trindade
da liberdade, da revolução
e do anarquismo
Somos cor no que é cinza,
somos alegria onde ela não existe
somos poesia
do cú até a bunda
Somos arco-iris
somos sol e somos chuva
Somos tudo o que não devia,
somos carne e somos osso
somos vida acima de tudo
somos curiosos e queremos o que não existe
Somos tinta, verso e melodia
Somos manifesto, somos rua e somos vandalismo
Somos isto,
num tamanho que nunca coube,
somos largos
num mundo que nos veste
in-justo
Somos corpo
no entanto
deveriamos ser pedra
somos prosa
no silencio inquieto
da poesia que não faço
e acabou de ficar pronta
A Caverna
Não é alegoria, antes poema. Não é mito, embora mística. Quando não tem luz, é pra não se iludir com as sombras. Mas se Platão volta aqui o pau pega fácil, cultivamos a ignorância se for o caso de prevenção ao filosofo-rei. Cega aqueles que portam a luz. A sombra é tanto projeção quanto real. O mundo das idéias é o mesmo mundo da matéria. A caverna representa o último subterfugio, o último local do qual a vontade ainda não foi superada pela razão, pela moral. O espaço que não esta em 2013, não segue o horário de Brasilia, não se sujeita aos anseios morais do estado-federação. Na caverna trepamos loucamente, bebemos loucamente, poetizamos loucamente, discutimos loucamente. Desde que mantendo um certo nível de silêncio, porque nossa liberdade constantemente necessita emprestar a liberdade dos outros. Descobrimos que com silencio e certa descrição tudo é possivel. Os loucos são como ratos se multiplicando nos esgotos, e a arte do encontro e o perigo do encanto. Entre os canos, se arrastando pelos boeiros, cantando cartola sozinho na noite, se encontrando sem compromisso com o bando da noite. Onde houver poesia houver Cazuza e houver brilho nos olhos, nos materializamos. Abonde seus anti-depressivos, e entre para o Clube da Luta. Pessimistas de plantão caiam na real, o possível é so questão de vontade. No submundo da caverna abrimos um portal que nos isenta de toda sociedade, escrevo como testemunho dessa juventude que vale a pena, tocando agora um blues, lendo na sequencia qualquer poeta beat. Parecia que estavamos pronto para ser a medida do nosso mundo. Na Caverna um mundo provável era menos utópico do que possível. Eramos divas e divos maravilhosos eternamente amaldiçoados pela arte do encontro. Loucos num quadrado ficam loucos ao quadrados. Nos olhavamos e estavamos certos, a nossa incapacidade de adaptação a vida comum comprovava, a rebeldia era a unica possibilidade de expandir nossas vidas. Era necessario estar a altura dos loucos que nos predisseram, pois somos herdeiros daqueles que morreram de aids, de overdose, ou lutando contra o Estado.
Me honra estar no meio dessa juventude comprometida na luta contra o capitalismo. Que a complexidade da nossa tarefa não nos fragmente perante o inimigo. Que nunca falta vodka pra quando o mundo virar tédio. Entre nós, a vida jamais será carente de sentidos. Distraidos Venceremos. E bradamos: a disciplina nunca é revolucionaria. Isso foi comprovado empiricamente no laboratório de um mundo novo, do qual designamos: a caverna. Muito mais coringa do que batcaverna. Platão tinha medo da vida. Por isso Platão, você não tá ligado. O que você teme de fato somos nós. OS VIVOS CAVERNOSOS.
O resto é vivo enrustido.
PIVA DE CALCINHAS
E se possuisse esse harén de adoslecentes
que me centrifuga as babas, os liquidos
a meia-meia duzia de bucetas
de que me encaverna, projeto
chupo no silencio
entre um disparo de uma cortina e outra
de todos que te captam
te desejam
e nem sabem como são seus pés.
Se tudo isso fosse verdade consumada
eu já não seria eu
pois teria partido pela canção de nos ultrapassarmos
e dai então que eu me resignifico,
radicais do pouco (radicais do pouco 2x)
podendo vos amar como quem não tem
palavra pra clamor,
corpo-conhecimento para clamar
Se eu fosse a musa dos mil olimpios
beberia do corpo de Perseu como a Medusa
escorre agua entre as pedras
e Dionisio beberia do meu vinho
embriagado desejaria vão o meu corpo
sedento de imortalidade
Pois dos deuses que me esculpiram
não permito reivindicar autoria
por sendo o mais místico que seja
a mundanidade que me preenche o falo
é a transitoriedade de saber que meu esplendor
também é findo,
e de que a Terra resguarda as vidas mais fúteis
tanto quanto
preserva as vidas mais plenas
e mesmo divas, como eu,
são insignificantes o suficiente
para simplesmente virarem buffet
para o deleite dos vermes.
Um poema é um formol.
Ao infinito e além.
Volnelha e Fernã Dos Platanos
Com Fernã dos platanos
Femexs Liberrimas
Chicas
Semeiam merca
Nos prazeres folhosos -
Pobres misógenos ignorantes platonicos
Poderao morrerem poderosos
secos e sem cor
perdidos e convictos.
Nunca pode com isso
muito menos com seu spectro podre
de querer ser imanencia.
Que defecai, vós
que nunca hão de amar o cheiro do próprio rabo.
Nós ja somos muitos -
piracratras
vossa apatia é fraca demais para os nossos devires
meia noite lua cheia encruzilhada;
eu plano em gargalhadas
me espalho
enquanto te preenche de méritos
Tornou-se mais um
e agora és homem
e portanto ja não nos interessa mais
eis um caso perdido
projeto bem sucedido de poder
mascarado nas fórmulas e convenções
das regras da boa convivencia.
Teu corpo estampa as formas cruas do sistema
e o colonizador esta presente no jeito que move as pernas
para dar um passo a frente ou outro atras,
o sistema esta na forma que trepas
esta nas palavras que lhe ensinaram a dizer
quando pensas que estas sendo originalmente safado
e gostoso
na cama.
Mas não, você não passa de bom censo,
não transpõe nunca a normatividade
escova os dentes melhor que os nazistas
e até a suposta trangressão da sua chuca
não passa de mais um adendo
no seu higienismo exigido e bem aceito.
És homem, simplesmente
te orgulhas de não seres nada
e ocupa o seu tédio buscando propriedades.
Tolos,
não são livres porque não necessitam,
fazem da liberdade valor de troca
para nós liberdade só tem valor de uso.
Política da Existência (Pela redução imediata da jornada de trabalho)
Há mais ou menos cem anos os trabalhadores conquistaram o direito a 8 horas de trabalho. Há mais ou menos cem anos depois está conquista esta obsoleta, porém tão normatizada que poucos contestam as horas que a sociedade exige de trabalho. Se aceitarmos e relevarmos os avanços técnicos e sociais que supostamente adquirimos nesse meio tempo, devemos nos perguntar porque todos esses longos anos de história não culminaram, para nós, em uma significante melhora e qualidade de vida.
Os dias são curtos, os prazos opressores, o relógio parece mais rápido do que nunca. Indicios que os dias estão ficando pequeno para nós, que as 24 horas de rotação da Terra tem sido insuficientes pra contemplar todos os anseios exigidos pelo nosso modo de vida. De lá pra cá as cidades cresceram, as distâncias aumentaram, e os sistemas de transporte não parecem corresponder as exigências da vida comteporanea. A cidade faz com que se tenha que percorrer grandes distâncias, se possível num curto espaço de tempo. Hoje devemos considerar que as 8 horas de trabalho exigem mais ou menos 10 horas do dia. Considerando que devemos dormir idealmente 8 horas, nos sobram apenas 6 horas do dia para viver. Todavia, estas 6 horas devem também contemplar outros compromissos e responsabilidades que não o trabalho.
Um dos objetivos ideologicos de Marx designados sobre a responsabilidade do avanço técnico consiste em libertar o trabalhador do trabalho. "As máquinas farão o trabalho alienado por nós", é uma das objetividades que visa o comunismo. Todavia, a luta dos trabalhadores contra o trabalho (mecanismo biopolitco de opressão) deve ser uma luta permanente, visando sempre a melhoria da qualidade de vida do trabalhador. Todavia, as lutas da esquerda não são apenas lutas por uma classe, as conquistas que este campo político obtém acabam por fim beneficiando toda a sociedade. Afinal, os direitistas de hoje se servem daquilo que era contra os direitistas de ontem, direitos trabalhistas, férias, plano de saúde, carteira assinada...
Digo isso para não ideologizar o debate. As polarizações entre esquerda e direita existem e devém ser mantidas, todavia acredito que temos bandeiras políticas que extrapolam estas categorias e são de interesse sobretudo da sociedade cívil. Quem não gostaria de trabalhar um pouco menos, ter mais tempo para lazer, recreação, e aperfeiçoamento individual? Afinal, quem não gostaria de dispor de mais tempo de vida livre? Penso que garantimos para si condições mais libertárias de existência só tende a contribuir em todos os aspectos da nossa sociedade. Penso que devemos retomar uma luta para garantir mais tempo de vida e de vivência. Não basta existir.
Se foi possível reduzir a carga de trabalho de 14, 16 horas por vezes, para 8 horas há mais ou menos cem anos, não me parece nem um pouco utópico exigimos redução da jornada de trabalho para 6 horas pelo menos. O que esta em jogo é nossa condição humana. Se em todo esse meio tempo os avançamos que obtemos em todas as esferas sociais não culminam em melhora de vida algo esta errado, alguns poucos novamente estão ganhando com isso. Se progredimos, então exigimos a nossa fatia do progresso. Progresso seria neste caso mais horas de namoro, de rede, de ócio, de lazer, de passeio, brincando com o cachorro ou com os filhos.
Pensar o trabalho nos serve como metáfora histórica do desenvolvimento. Embora "evoluimos" tecnicamente, trabalhamos como o homem de cem anos atrás. Embora no século XXI conservamos a fome enquanto realidade social quase que universal e primitiva. A civilização com todos seus avanços se mostra incapaz de garantir duas necessidades básicas da humanidade: o direito de existir e o direito de vivenciar. Torna-se assim incapaz de satisfazer igualitariamente velhos anseios humanos, um relacionado a saúde do corpo outro a saúde do espirito.
Se a história demonstra que não podemos conferir fé a capacidade da nossa civilização de atender anseios básicos e universais, cabe nos perguntar, para onde caminhamos, então? Porque simplesmente nos submetemos a modos de vida que não nos servem, nem enquanto ser individual ou coletivo? Estamos cada vez mais presos e vampirizados por um sistema que exige uma alta produtividade sem oferecer melhoras na qualidade de vida. Esta alta produtividade não proporciona um mundo melhor, apenas garantem os anseios daquela minoria excessivamente rica que necessita e absorve grande parte do excedente produzido no mercado. Os trabalhadores continuam alienados nesse sentido, o seu trabalho não lhes possibilita melhora de vida.
Os avanços na tecnologia de produção só permitem maior enriquecimento em menos tempo e com menos mão-de-obra. A tecnologia esta a serviço exclusivo dos capitalistas, e portanto é necessário reivindica-la. Se é possível produzir o mesmo tanto em menos tempo e com menos mão-de-obra, então significa que é possível reduzir a jornada de trabalho, e tudo isso sem mexer no lucro do capitalista. É necessário convertermos a técnica que possibilita menos gastos e maiores lucros aos capitalistas, em tempo livre para os trabalhadores.
Aprendemos novamente com os índios. Dizem que os índios tem repulsa ao trabalho, e com razão. Na verdade todos temos, e se pudéssemos não trabalhar ou trabalhar menos o faríamos. Mas a verdade não é que os índios são preguiçosos, mas sim que trabalham apenas o quanto precisam, e fazem o possível para não precisar muito. Eles trabalham para si e por isso trabalham pouco, nós trabalhamos para uma minoria que detém maior poder de consumo, e que sendo proprietária do meio de produção não trabalha. O fascínio dos índios com a técnica dos brancos é compreensível neste sentido. De tudo que os europeus forneciam, eles se interessavam sobretudo pelos acessórios corporais, espelhos, e metais forjados. Os acessórios corporais lhe permitiam expandir o embelezamento estético da vida, o espelho lhes permitia constatar essa expansão. Jà os machados e facões por exemplo, lhes permitiam fazer as mesmas coisas com maior eficiência. Estes objetos lhe permitiam trabalhar mais rápido. A madeira necessária que era cortada em 4 horas de trabalho, passa a ser cortada em 2. Ou seja, ganha-se 2 horas a mais do dia para dar atenção aos filhos, conversar, ou ficar na rede.
É uma depredação da vida ver a nossa juventude ja tão cedo dedicada ao cárcere das 8 horas de trabalho. Uma das minhas angústias da minha vida em relação a este mundo refere-se a isto. Amo demais minha vida para dedicar todo esse tempo para a produção de excedentes econômicos. Me nego a me adaptar passivamente a esta lógica grotesca.
E ainda falam do meu cigarro. "Cada cigarro que você fuma corresponde a menos 5 minutos de vida." Pois então, e quantos cigarros meus correspondem as horas de trabalho? A diferença que quando estou fumando estou fazendo por escolha, e ao fazer não julgo perdendo tempo de vida. Atribuo um sentido positivo no meu ato de fumar, mas não vejo sentido positivo em ter que trabalhar 8 horas por dia.
É necessário discutirmos um âmbito da política ainda pouco explorado: a política da existência. Penso neste ambito da politica como um campo que tem por foco discutir a nossa saúde social, o quanto a nossa sociedade permite e fornece condições para sermos seres saudáveis socialmente. Remédio pra não dormir, remédio pra dormir, remédio pra ficar ativo, remédio pra desativar, anti-depressivos, remédios anti-strees. O alto consumo dessas drogas indica o quanto nosso modo de vida esta dessincronizado com nosso metabolismo. As doenças psicológicas que se alastram em toda parte neste século são sintomas sobretudo do câncer capitalista a qual todos estamos envolvidos. Vende-se um modo de vida saudável que é impossivel de atingir socialmente. De forma que os atletas da beira mar na sua busca por saúde me fazem contestar em que medidas todo monoxido de carbono respirado dos carros não contrapõe a prática da corridinha ao fim de tarde.
Exigimos avanços na política da existência. Dedicar maior tempo as pessoas que a gente ama, aos lugares que a gente gosta, as coisas que fazemos por prazer. Descobri empiricamente que um sálario de 20.000 reais por mês não me faz mais feliz em absoluto, se para isto eu tiver que dedicar 8 horas diárias da minha vida. Hoje tenho a clareza que definitivamente dinheiro não me traz felicidade. 20.000 reais para mim não pagam o tempo de vida que abdiquei. Ir pra praia naquele dia lindo por vezes compensa mais. O dinheiro garante a sobrevivência do corpo, o bem estar da matéria, nada mais. O dinheiro garante a sobrevivência. Mas viver não é sobreviver. Viver não é a qualidade dos moribundos.
O trabalho garante algo essencial as economias modernas: o excedente. E como economias modernas, as propostas socialistas e capitalistas não divergem sobre este ponto. A legitimidade moderna do "homo faber" é reivindicada tanto por comunistas quanto por capitalistas. Ambos reivindicam o industrialismo e a produção de excedentes. Termino contestando em que medidas uma esquerda é libertária quando compreende na proletarização universal um mecanismo de libertação e não de opressão. Um regime em prol dos trabalhadores só deve visar a libertação dos trabalhadores do trabalho. Pergunte aos trabalhadores quantos deles trabalham por prazer, quantos deles não queriam dispor de mais tempo livre? O trabalho é um mecanismo de opressão a favor do excedente e da domesticação da vida. A nossa sociedade hoje é um grande campo de trabalho forçados.
Tal e qual diluem-se a distinção entre vida pública e privada. O trabalho invade o campo da pessoalidade individual. Agora mesmo fora do trabalho você continua trabalhando. Sua conduta deve ser vigiada. Você não deve mais representar o que você é. Porque você agora é a própria imagem da sua empresa. 24 horas. Mas não recebe por todas essas horas de serviços. Nem ao menos cobra direito autoral pelo uso de sua imagem.
Me deem uma pós-modernidade, mas não me tirem meus universais
me reduzam a minha insignificância, mas não destruam de minha boca
aquela sensação agradável típicas dos conceitos
que nos iludem por breves momentos,
que sim, somos alguma coisa mais ou menos parecida ou com pretensões de todo.
Me pergunto em que medidas a despersonalização moderna tipica da sociedade de massas não corresponde a uma expectativa budista de nirvana absoluto,
onde todos os seres se fundem num ser absoluto,
despersonalizado
só que terranamente deve-se considerar,
este ser geralmente chama-se estado,
mas assina como leviatã.
De tudo isso, guardo como guardo meus ursinhos da infancia em cima do armario,
certas palavras tipicas do linguajar moderno,
que nos permitem verborragizar
palavras como classe, como povo,
como humanidade.
Meus amigos, por favor,
não sejamos tão duros
com certos conceitos.
São amores,
ruim com eles,
pior sem eles.
É irônico quando me descubro derramando lágrimas pela modernidade.
Não consigo enterrar os seus poetas, e suas indevidas esperanças com o mundo.
Apesar de tudo
Teoria do poema 267
A revolução é uma técnica. A ciência é uma técnica. O corpo é uma técnica. A música é uma técnica. O romance é uma técnica. A fotografia e o cinema são técnicas. Cagar na privada é uma técnica. Até um bom sexo oral é uma técnica. A técnica não passa de uma narrativa linear que atende a algum fim objetivo tem sentido explicito e necessita treinamento e aprendizado.
Poucas coisas no mundo se insurgiram contra a técnica de maneira tão eficiente quanto o poema. O poema age sem exigir pré-requisitos. O poema até analfabeto pode ser. O poeta que destrói o poder da língua é um poeta que se nega a saber/aprender a ser poeta. A anti-técnica lhe mantém sempre original e imprevisível.Tornasse assim um fenomeno do devir. O poema não sabe se só sabe que nada sabe. Ele sabe que é sabido. E o que sabe não se aprende, também nada ensina. Só demonstra que o que se sabe é aquilo que o leitor também ja sabia. Quanto melhor desoculta e da forma para uma dimensão do nosso eu até então invisivel, mais eficiente.
O poema traz os nossos náufragos até a superfície. É a unica forma que estes desafogam.
Da seria poesia de parede:
Soberbo poetinha erroneo
das palavras mutuas e perdidas
convém em meio a tristeza cinza
do frio sólido de cimento
reafirma a esperança
do primitivo escrivinhador de paredes
o qual carente de sentido
foi corrente de absurdos
e buscou no ardiloso sonho de conquistar um outro mundo
a razão de seus dias pisando neste solo
pois era tempo de exorcizar os passados
e se jogar ao abismo antes mesmo de conferir
a existencia real ou possibilidade de asas de rapina
qualquer vir a ser bastaria
pois das palavras lindas que aprendeu
resignificou toda sua beleza contida
dado que permanecessem como estavam
não serviam de nada
não eram férteis para os poetas
seus sentidos de mercado
apenas enfeitavam as vitrines
O certo seria esmaga-las
até que de seus cacos
só houvessem pó
e negligencia
Na certeza black block
que os muros do capital
só nos afastam do horizonte
da incógnita,
que nos permite perguntar
quanta terra ainda não esteve a vista
quantas formas de vidas
naufragaram nossas naus a procurar
são fosseís estagnados na história
aquelas que deixaram de acreditar
que navegar era preciso
dado que correnteza nunca nos levou pra atras
pois desse mar que se chama vida
iemanja balança a onda e se vomita,
mas nao deixa nunca
um dos nossos se afogar.
pós-antropofágico-canibálico-vegetariano
mas nao satifez meu desejo de antropofagia
de pos modernidade
de anti-modernismo
eu quero algo indefinivel
algo confuso
incompreensivel
irepresentavel
algo que faço barulho sendo surdo
e mudo
uma linguagem que nao comunique
e que fale a minha lingua
algo que não faça sentido
que faça um furo no guarda chuva
algo que gere caos
que não esteja previamente definido
estereotipado
algo virgem
sim cheguei
cheguei
eh isso que eu quero
algo virgem - mas nada virginiano
algum lugar que se possa tudo
sem se pretender a nada
E Queremos
Depois de tudo a que estamos privados
depois de tudo que se foi privatizado
depois do capital desterritorializado
e anos luz a invenção do sistema financeiro
da multinacional, multifacional
digo com esplendor
algum ainda nos sobra,
ainda nos resta, se quisermos
este pouco
que é alegre
se quisermos
e chama-se corpo
se quisermos
resistir
é incorporar
se quisermos:
Eu não quero ser nada,
eu quero fluir.
Quero morrer quantas vezes for necessário
e renascer tantas quanto possível
os sonhos eu dispenso
porque sei que o que a vida oferece
é de bom grado e esta suficiente.
Quero ser hetero, gay e mulher
quero ser astro, planeta, cometa,
quero experimentar com a língua todo sabor dessa terra
e explorar todos os ambitos do que é ser humano
quero amar tanto quanto sofrer
quero nadar saudável como quero padecer
bem como achar a alegria em estar triste e a tristeza em estar feliz,
não quero o comodo, o bem comportado,
o definitivo,
não quero o território, o plano, a parede
desconfio que o melhor pra mim seja o melhor pra mim
desconfio da vida fácil,
que não enlouquece nunca
que não rompe com ninguém,
desconfio do estar bem, que é estar comodo,
estar morto,
dispenso a obrigação visto que não tenho compromisso
com o desprazer
sou egocentrico sempre que possível
porque humildade é qualidade das ovelhas
não tenho medo de me amar
e continuar me amando quando devo me perdoar,
também não tenho medo de morrer,
sou mais esperto que a morte e sempre serei,
por isso me drogo, me jogo no mundo,
me arrisco,
não permito ter medo,
e quando tenho culpa fico bravo por não ser um ser totalmente potente,
e me sinto responsável pelos designos do mundo
e acho que deus me fez virginiano não é a toa
e que me mandar pra Terra na geração 1990 foi estratégico,
ele sabia que eu ia curtir ter que refazer tudo.
Estou vivo e reivindico,
tudo que me fez enquanto ser,
os livros que parecem sempre aparecer no momento certo,
as pessoas que encontro e fazem todo o sentido,
a minha estadia nesta Terra que me parece sempre dar a sensação de que estamos no caminho certo,
o poema que descubro releio e refaço,
a diversão da vida para aqueles que se permitem,
a compreensão histórica da genealogia que me antecede,
o olhar para o mundo estando na crista da onda
e compreender o que deve ser feito,
a perversão, a luta política, o sonho de liberdade
tudo que recaí pra mim agora,
nada seria tão tesão do que me sentir necessário
nenhuma vida seria tão boa quanto essa do século XXI
onde eu filho do último século herdo as idéias
a história e o futuro,
onde eu tomo parte e invento
os próximos cem anos
os próximos milênios.
Onde eu divago desde Platão
e chego aqui na crista da civilização
para anunciar que esta deve ser destruída.
Aqui estou e minha tarefa mágica
e ser inimigo do mundo, do homem,
minha tarefa é destruir a civilização,
o ocidente, a filosofia,
minha tarefa é ser meu próprio deus
minha tarefa é ser o primeiro homem
que não seja deste mundo,
o primeiro homem que pariu a si mesmo.
Eu preciso obter a grandiosidade da vida, que eu sei que existe
para além do programado,
eu preciso ser grato e aproveitar sem medo
a confiança que deus me deu,
a proteção que ele me confia.
Hoje entendo minha vida,
o porque de cada coisa,
do signo, dos livros, da terra natal,
dos amigos das experiencias
das coisas que acontecem nos momentos certos.
Este é o melhor momento pra estar vivo,
e pra reinventar a vida
Festa do gutinho, o yuri no meu quarto,
eu mais interessado nos simbolismos.
Precisamos nos tornar monstros nunca antes vistos,
ser uma mistura de Calígula com Ginsberg com Pasolini,
e não ter sexo nem sexualidade e trepar com todo mundo.
Usamos diversas drogas e achamos isto bonito,
nos queriam caretas, nos queriam comportados mas falharam.
Nos botaram medo da vida desde cedo,
medo das drogas, medo da aids,
medo do desemprego.
Vislumbramos ser os jovens mais pervetidos da face da humanidade,
honrando a altura os malditos que nos predisseram,
descobrindo nossa sexualidade, nosso inconsiente,
nosso mundo.
Mesmo confusos lutamos politicamente
e levamos para frente a luta anti-capitalista
cheio de incertezas ideologicas,
cheio de desconfianças com trotskitas e stalinistas
aprendemos desde cedo que é com rebeldia
que se floresce a vida,
que se descobre o que é possível.
Hoje nos interrogamos sobre o que herdamos,
e alguns vislumbram uma nova história em ser jovem,
nós lemos os poetas e entedemos desde cedo os filósofos
foi necessário aprender de tudo,
para então vomitar as essênciais.
Hoje ja obtemos conquistas,
e descobrimos sobretudo que criando os espaços certos
podemos libertar o mundo dentro de certos limites.
Nos sentimos impotentes frentes ao mundo,
mas tudo fica bem quando percebemos que resistir é divertido,
e perpassa loquiar, transar e descobrir o corpo.
Somos talvez a geração mais jovens de pensadores,
e assumimos o inicio do século como responsabilidade pessoal,
tomamos consiencia do nosso estar no mundo
e do papel que a história agora confia em nós,
estamos decididos que nossa revolução propunhara vida e nada mais.
Nesta busca de si através do mundo
entendemos que disputar o mundo é nos transformar enquanto ser,
e precisamos estar a altura do mundo que queremos.
Sem disciplina revolucionária sem fervorismo político
aprendemos que possibilitar a liberdade
é a maneira carinhosa que todos temos
de entender o porque
devemos buscar a revolução.
Somos impelidos a sermos os loucos
e por tédio nos obrigamos a tornar o mundo mais divertido
quem nos deu um ideal de juventude esta em casa assistindo ao faustão,
aprendemos com o tempo,
seremos loucos mas permaneceremos vivos
estamos empolgados com a idéia de que logo logo
o século XXI será de nossa responsabilidade,
e se não pudermos deixar como herança um mundo melhor
deixaremos as canções, os poemas, os símbolos,
enfim ensinaremos que se não podemos vencer politicamente,
passaremos Piva as próximas gerações
na esperança que elas sejam
mais perversa que nós,
se dermos sorte,
em poucas décadas teremos um Rimbaud entre nós,
enquanto aqui no 2013, nos esforçamos para redescobrir a poesia,
e segurar a barra da humanidade.
Espero que possamos ser insanos,
perversos,
malditos.
Espero que a juventude de agora
floresça assumindo as dores de todas as outras épocas,
e passemos o próximo milênio
vingando aqueles que morreram na ditadura.
Na ancia de mudar o mundo mesmo sem querer,
sabemos que não formos nós,
os jovens que pensam, que lutam,
os caretas pela primeira vez na história
parecerão sábios na sua caretice.
E a primeira geração que desconhecer a geração BEAT
que não traçar a genealogia dos malditos
esta fadada a morrer
se masturbando de camisinha
de medo da vida.
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