terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Pelos anti-poderes dadaísticos que a mim foi encarnado, lhe conçedo oficialmente o direito de chamar isto que expressas de poema, entretanto, lhe tiro a propriedade de seres donos de seu significado. Restrinjo por este decreto o poder de qualquer canone de definir ou julgar valorativamente e muito menos moralmente a qualidade de qualquer expressão estética, muito menos de ousar qualificar algo como digno de ser ou não ser arte. Daqui pra frente tu, o tolo, ficarás expressamente responsável de formular análises legitimas sobre a qualidade artisticas das expressões de nosso tempo, e de qualificar ou julgar sobre os vossos termos aquilo que defines ou não defines enquanto artistico. De forma que perguntar o que é a arte consiste numa pergunta absurda, simplesmente por esperar de alguem uma resposta, e mais, achar que alguem tem legitimidade para fornece-la. Estas medidas pretendem garantir a não captura do desconceito de de arte perante qualquer julgamento racional, de modo que ninguem possa convencer alguem que acha que Tati Quebra Barraco é arte, de que Tati Quebra Barraco não é arte. É um mecanismo sofistico que permite que todos estejam certos, ou seja, errados. Desta forma tornam-se obsoletas qualquer distinção entre "alta" ou "baixa" cultura, entre arte "erudita" e arte "de massas". Estas implicações são em muito ressaltadas pelo Funk, o qual sendo teoricamente uma cultura de "massa", é sem dúvida uma expressão estética do mais alto valor artístico, algo que em algum momento envolve até os seus mais ávidos opositores, pois toca no corpo, e assim permite a ampliação da sensibilidade artistica, através de um ritmo que fomenta a desinibição da nossa reprimida sexualidade. Implode-se o campo artístico, e desta forma desprendemos a arte da técnica. Cria-se um mecanismo que impede a sacralização, e que nao confia a ninguem exercer o poder do julgamento, da definição. Diferente da ciencia, que não forma cientistas fora das academias, a arte não se permite mais ser enclausurada dentro de formais formas e técnicas, estando certamente não só dentro mas também fora do museu ou de qualquer outro lugar a este reservada. Implodir o campo artistico.Só assim garantimos que a valorização da poesia não se reduza ao formalismo métrico dos poetas parnasianos, mas sim, desemboque nos becos marginais que nos trazem bêbados socialmente desprezíveis sensíveis ao seu tempo e geniais como nosso consagrado Charles Bukowski. Quem faz sentido é soldado. Por este motivo o monopólio do sentido deve ser desfeito. No que tange a sentido, o poema, assim como a arte e a vida, é uma teia incessante de possíveis agenciamentos, possíveis leituras, e possíveis significados. O poema não comunica, porque nele não existe as barreiras entre emissor e receptor. Sobre ele ninguem exerce poder, o autor que o esculpiu, assim como o publico que o apreciou, ambos são em parte o próprio poema. É assim que o poema não admite nem sujeito nem objeto, pois o poema é refeito a cada vez que é lido. O poema é veloz, e transita plausivelmente dentre as mais improvaveis possibilidades, desemboca em lugares desconhecidos, além do mapa. Consegue chegar a lugares que por vezes seus “autores” nem sabem que existem, lugares que a estes não foram previamente designados. "Para fazer uma poesia dadaísta: Pegue um jornal. Pegue uma tesoura. Escolha no jornal um artigo que tenha o comprimento que você deseja dar à sua poesia. Recorte o artigo. Corte de novo com cuidado, cada palavra que forma este artigo e coloque todas as palavras num saquinho. Agite delicadamente. Tire uma palavra depois da outra colocando-as na ordem em que você as tirou. Copie-as conscienciosamente. A poesia se parecerá com você. Ei-lo transformado em escritor infinitamente original e dotado de encantadora sensibilidade..." (Manifesto Dadá de 1918 - Tristan Tzara).

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