terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Poetas borrabotas
enclausuram forma e conteúdo
e capturam todo devir poético
nas suas linhas bem definidas
na sua linguagem rápida
feita para consumo rápido
A fetichização da poesia
como produtos que decoram entradas de boutiques,
como quadros reprimidos prisioneiros das paredes das madames
servindo para dissimular as grades destas prisões de luxo
não desconstruindo, mas decorando
Poetas borrabotas
servem as necessidades intrínsecas
de um lirismo publicitário
se fazendo verdadeiros
lacaios da ditadura da beleza
do amor romantico-monogamico
e da felicidade.
Volta e meia criam um slogan que cativa a massa,
e não raramente
se justificam dizendo que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Poetas borrabotas fazem poesia pra negócio
e tratam seus escritos como propriedades
adoram assinar seu nome
e o plágio lhe causa pavores,
sente que a expropriação poética é um roubo da sua "genialidade"
São significantes sem significados
"abra a felicidade"
palavras que se adequariam perfeitamente
a uma campanha qualquer
de uma empresa de perfumes
Poetas borrabotas reivindicam na poesia apenas o status de poeta,
e figuram no poema apenas uma imagem
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