terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Teoria do poema 267 A revolução é uma técnica. A ciência é uma técnica. O corpo é uma técnica. A música é uma técnica. O romance é uma técnica. A fotografia e o cinema são técnicas. Cagar na privada é uma técnica. Até um bom sexo oral é uma técnica. A técnica não passa de uma narrativa linear que atende a algum fim objetivo tem sentido explicito e necessita treinamento e aprendizado. Poucas coisas no mundo se insurgiram contra a técnica de maneira tão eficiente quanto o poema. O poema age sem exigir pré-requisitos. O poema até analfabeto pode ser. O poeta que destrói o poder da língua é um poeta que se nega a saber/aprender a ser poeta. A anti-técnica lhe mantém sempre original e imprevisível.Tornasse assim um fenomeno do devir. O poema não sabe se só sabe que nada sabe. Ele sabe que é sabido. E o que sabe não se aprende, também nada ensina. Só demonstra que o que se sabe é aquilo que o leitor também ja sabia. Quanto melhor desoculta e da forma para uma dimensão do nosso eu até então invisivel, mais eficiente. O poema traz os nossos náufragos até a superfície. É a unica forma que estes desafogam.

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