terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Stalin matou Maiakovski e disso os anarquistas não esqueceram,
o Estado matou Federico Garcia Lorca,
e disso não esqueceremos,
Que o Estado é uma máquina de tortura,
que o Estado é a maior máquina mortifera da humanidade,
seja burgues ou seja proletario,
disso nós, os anarquistas,
jamais esqueceremos.
Pelo direito a vagabundagem,
o anti burgues e o anti proletariado
Disto
Jamais.
Esqueceremos?
Falavam, falavam, falavam
de olhos esbugalhados na noite de Floripa,
entre passos apressados para lugar nenhum,
fumando cigarro após cigarro,
poço sem fundo, escuro, feito clarão negro da noite,
buraco negro entre bocas e boeiros
hemorragicos decassilabos...
Enquanto sobem o morro,
as horas avançam sobre a noite
e a lua se reflete em poças dagua,
enquanto crackeiros pedem e pegam uma bola de tudo aquilo que me resta.
As bixas procuram picas:
Os ativos buscam cú os passivos buscam paú.
Heteros buscam vaginas ou buracos de tijolos.
Ninguem esta afim da realidade.
Desce outra cerveja,
e dividas e dividendos em papel moeda transitam sobre a mesa,
é busnisses,
sem parar de falar,
sem jamais parar de falar,
se quer por um minuto,
se há um fato, único sequer
é que não conseguem parar de falar.
(de fato o mundo fornece muito assunto)
Bebado fumando teorizando sobre o mundo,
entre abusos e excessos invisto meu pulmão em bitucas,
Idéias absurdas, vontade de romper com o acaso, espancar a rotina,
E fazer amor,
soar
assar a carne.
Planos sem fundamentos fundamentam a desfundamentação,
Donos do mundo por um instante,
loucos, de longe nos reconhecem
flutuam pela brisa da existência
Ao amanhecer do dia
indubitavelmente
Naufragam na tormenta que outrora fomentaram
Mas outra noite surgira,
e novamente vira lhes resgatar.
Nix amamenta suas crias
Ninguem esta afim da realidade.
Drogas, igrejas, novelas.
Dizímas periódicas,
reticencias e eteceteras...
etc
etc
etc
Crescer significa adaptar-se,
e eis o proletario anarquista
dizendo sim senhor
quando lhe interrogam no trabalho
A minha rebeldia
nao me precaveu
das responsabilidades
que eu quis
ilusoriamente
livrar-se
ideologicamente
E os pelos pubianos
ficam longos
caso nao cortados
Cortar o cabelo.
Um gesto simples,
mas quando caiu aquele pega rapaz
algo de mim tambem declinou
Nao sou mais o menino
se masturbando no banheiro
com seu vigoroso penis juvenil
O mundo tambem chegou
tentando me ensinar
que e mais facil abraça-lo
do que convencelo
Agora movimento
transacoes bancarias,
contas chega em meu nome
e o aluguel tarda mas nao falha
Crescer,
mas perai,
logo eu,
que estava tao satisfeito com aquele velho rapaz
o mundo me chama
e nao esquece meu nome
Também fui capturado pela rotina.
Mas quando me idealizei jovem
a estas horas
era pra mim estar fumando maconha
em algum lugar distante e esquerdista
da america latrina
O mundo nos castra
e aos poucos
a gente se convece
que de fato
nos livramos de algo desimportante,
tipo,
liberdade
Quem puder alimentar seus sonhos,
que os torne obesos,
Achei que comigo poderia ser diferente
e que talvez
o relogio
jamais me coagiria
sou livre,
tolo que sou
A gente cresce,
mesmo sem querer
e o mundo chama
mesmo quando nao se ouve
Daqui a pouco sera domingo,
e eu ja começo a me convencer
de que a poltrona ligada no faustao
talvez seja o melhor pra mim
Maldito signo
que torna facil adaptar-se
Certamente meu salario nao me tornara uma pessoa mais feliz,
mas no entanto,
contudo,
todavia,
sempre tera uma coca-cola
me esperando na geladeira.
E isso que chamam de felicidade
interrogo
Agora sou maduro,
mas talvez caia do pe
Aconteceu comigo,
por isso mantenha seus olhos aberto
Com Melo
Está disposto a morrer pela revolução?
A merda é que eles nos matam sem dar um tiro
e nos atiram sem nos matar
até porque não precisamos morrer
a rotina esfaqueia nossas goelas
e não temos o mínimo direito sequer
de pedir perdão
nem o queremos
não aquilo que não fazemos
não aquilo que deixamos de fazer
mas aquilo que nem passa sobre nossas cabeças
aquela ideia brilhante
que nunca nos iluminará
estaria nessa luz inatingível a liberdade?
ou por cima de nossas cabeças
somente as botas que nos pisoteiam
enquanto lustramos as botas
dos gatos de botas
muito menos vagabundos de veras do que nosotros
Ay minha florezita, libertad mariposa.
Devaneio III resta IX
com Cogu Melo
Uma perfeita forma de dominação
o trabalho
o uma perfeita forma de iluminação
o iluminismo
as máquinas farão tudo por nós
e só trabalharemos
porque somos contra o trabalho
Três pontos da alienação
1. alienação sobre o que se produz
2. alienação sobre como produz
3. alienação sobre a destinação do que se produz
E eu que cago
e nem sei
pra onde minha merda vai.
Como falar de alienação
se nem sei falar de merda
como falar de alienação
se nem sei dar descarga
nas minhas ideias
dou descarga em meus ideais
Jogarei o lixo no chão
o que você tem a ver com a corrupção?
Outro dia lhe vi
comendo no bobs
mastigando o mc donalds
no café do cfh
Hippie cfh
procura paty ctc
Mais valia estar morto do que vivo
Todos vocês reproduziam, reproduziam, reproduziam,
signos velhos isentos de novos significados
mas é óbvio que eu e minha trupe
de poetas insaciáveis
nos lançaríamos na busca de inventar novos mundos.
Eramos o clã dos poetas incapturaveis,
nossas noites não tinham scripts,
e nossas plenárias eram aleartórias
nos encontravamos pela noite
e facilmente desfaziamos a barreira
de meros desconhecidos
Nos encontrávamos inevitavelmente
e de longe
nossa voz cantando gonzaguinha
era ouvida pela sociedade careta.
Nossas reuniões não tinham horários,
nem líderes, nem lugares.
Eramos o grande clã dos militantes desorganizados,
a incontavel trupe dos voyeurs urbanos taciturnos
Todos estavam satisfeitos
perplexos e pasmos
por palavras que suas bocas não disseram
Nós não,
nós estavamos a parte de tudo,
buscando encontrar em nós
a meta-metafóra
que o século que viviamos
exigia.
Reproduzir o mundo em forma e conteúdo,
até nós assim seria a lógica
mas achamos que não
e que talvez
mobilizando nossa loucura e juventude
nos libertaríamos
de opressoras 8 horas de trabalhos
até a aposentadoria.
Era necessario se jogar ao mundo
estando vulnerável as suas influencias
drogas só são perigosas em contato com livros,
Os poemas chapam mais do que coca
Mas todos vocês preferiam falar pela voz alheia,
não era o nosso caso,
ninguem mais nos representava,
e todas nossas referencias a partir de nos eram estrumes para o futuro,
eramos donos da nossa própria historia
nos fazíamos agentes de nossos próprios discursos alienados
Não tinha outro jeito,
se lançar ao verbo
era a tarefa de uma geração
que embalsama o pensamento beatnick,
E nestes poemas
uma outra história
se iniciava.
Muitos observam o mundo,
mas entre nós a passividade eh complacente,
Não mais espectadores das telas das cadeiras e dos professores
agentes narradores de sua propria experiencia,
tudo isso em pleno inicio de um novo século
tal e qual planejado
para que não haja história para nós,
para que sejamos consumidores passivos
do mundo e de refrigerantes
uma juventude inteira
adestrada para rezar na voz do santo padre.
Entre nós, quais serão retratos de seu tempo?
Daqui, qual elevera o poema a sua potencia maxima?
As nossas historias de amor estão obseltas
e alem do mais
ninguem acredita
Os EUA atacam a Síria
e este deve ser o tema da semana.
Quais, entre nós, passarão por nós?
Daqui, alguem capaz de falar algo interessante
um poema que não seja uma camera
daquele que fotografa apenas a si mesmo?
Acredito no poema-feitiço
que deferido de maneira correta
não permite a ninguem
permanecer inerte da forma que continua.
Passarei os proximos 40 anos trancando no escritorio?
Sobre as nossas vidas, quem além de nós pode decidir?
Aquele que acredita e valoriza o trabalho que trabalhe por mim,
não sei quanto a vocês
mas antes de eu morrer
eu pretendo ter visitado o Haiti
Devo pedagogicamente
dar o exemplo da transgressao poetica-ludica
e me oferecer pela causa,
eis meu dever,
morrer cumprindo tendo mais horas de sexo
do que horas passadas ao telefone,
quer dizer,
ter mais vida, muito mais,
e transcender este resumo que lhes dou por facebook,
o qual voces tolos,
facilmente acreditam.
Quando "o mundo só existe em uma sequencia monotona de acontecimentos precavidos (Henry Miller)", a vida deixa de se tornar um mistério, como designou o divino, e passa a se tornar um calculo, como designou o homem. O tédio, o cotidiano, a rotina, o reproduzir cego dos dias sobre o mundo, eventos estes que nos fazem sentir incompletos, são a prova cabal de que aquilo que queremos para si ainda precisa ser feito. Há um devir, que nada mais é que..
tudo que se espera de vanguardistas obsoletos. Nada de novo, denovo, eu da raça dos navegadores afirmo balbuciando: nada seria mais catastrofico a historia da humanidade do que em meio satélites descobríssemos um novo continente, virgem até de indigenismo. Vomitos. Graças a deus fomos poupados mais uma vez da novidade, mas eu me pergunto, até quando jovens mancebos? Até quando? O medo habita qualquer sentido a qual me guiam meus olhos. Vomitos. Deve-se evitar tudo que seja possibilidades plausíveis. Reafirmo pela ultima vez: o lógico não me interessa. Já que o óbvio permanece impossível. Tudo que me faça andar em círculos, percorrendo os caminhos da incógnita. Acho que ja percorri este cactus outra vez na vida, embora não tenha minhas marcas nele, nem mesmo as dele continuam em mim...O inconsiente o destino e o submundo são invisíveis e deterministas feito o rastro das minhocas.
Menina, se acredita?
Grunhei, gritei, gemi, bati o pe,
ameacei ate de bota o dedo na guela,
e o desgraçado do poema nao quis sair
Devia ser de amor, o desgraçado,
pra nao quere da as cara logo depois a segunda linha,
Agora ta aqui,
e pergunta se ele sossega?
Ta aqui ainda fazendo algazarra nas minhas estranhas,
as vezes parece ser coisa do miocardio, ora parece do esofago,
Entalo, coitadinho,
Decerto nao quis sair,
se avexo sabe,
cu mundo daqui de fora,
deve-se porque nao sabe falor de amor sem ser brega,
diz que casa contigo nem que tenha que morrer de fome,
poema parecia meio aluado sabe,
falava umas coisa bonita assim,
so que bem melosa,
parecia aqueles sertanejo antigo bunito,
moda de viola,
uns eram brega memo,
mas falavam da vida da gente,
da dificuldade do dia a dia, sabe?
Das coisa do interior memo,
namoro as escondida,
as belezura que voce nem sonhava com medo de leva tiro,filha de corone,
elas oiavo pros rapaiz e os rapaiz nem se astreviam a manda o oia de volta,
ficavo tudo louco sabe,
era ate engracado,
mas os menino sofriam os coitados,
choravo, apaixonado,
aquilo ardia e custava pra sara,
as veiz virava ate umas musica bunita,
que tocava nas radio,
hoje eu ja nem ligo mais,
so aqueles tuntitunti...
Sabe que as veiz eu penso que hoje em dia o povo nao sabe gosta mais de coisa boa?
Ma eh bobagem minha,
As coisa mudo neh, fazer o que,
sao os novos tempo, fazer o que,
ja to ate no facebook.
A gente que ta ficando veia e se nao tomar coidado logo logo fica rancorosa, recalcada, e nem percebe,
Mas que da uma pena das crianca da, internada nesses videogame,
nao sabe nem o que eh colher uma fruta do pe,
que a vida mioro um pouco mioro,
mas muitas coisas se perdeu tambem,
povo dispero sabe,
cada um foi pra um lado,
uns foram obrigado a vender terra,
outros tenta a vida em outra sorte,
ninguem mais se fala, se conhece, se recebe comunicado,
povo se espaio no mundao que nao dexo nem rastro,
ninguem conta mais aqueles caso bao sabe,
so falo de novela,
esse povo da cidade e meio estranho sabe,
passa dia e entra dia e nao olham uma vez pra lua,
como que consegue se adaptarem neh?
assalto, enchente, essas coisa...
Oh, falando em brega, so porque eu tava reclamando, aquele buteco ta tocando Reginaldo Rossi. Lembra que nos fomo no show e eu joguei minha calcinha pra ele, tava ate usada, mas cherosa, haeheahaeha...
- Nao era o Reginaldo, e o Wando, sua burra
Vamo fala mal do palavreado
O ser humano não existe mais e
o ridículo foi exaurido
hereges da loucura
heteronormativos
coerentes!
exponhamos esta carencia absoluta
do contato humanos que repudiamos
e nos ajoelhamos a prostata
como a última arte sacra e intocável
vem você, meu querido
me falar do por do sol e do luar
porque você no palavreado
não para de me falar
de amor e de amar
e de como o raso lhe é suficiente
falsos amantes da melancolia de motel e
usurpadores das chupadas sem gozada
ao fim da transa os lençóis soam secos
e a sua aspiração erétil foi
toda devidamente realizada
o gozo foi seco.
gozaste, tu?
que nunca soubestes o que é prazer
faz me rir
ó sindrome de édipo
sindrome de época
que não conheces do amor
nada além daquele desejo fraterno
familiar, maternal e externo
do qual és tu finalmente
patriarca significante
que embreagado bate na mesa com pomo de homem
macho
e seu músculo representa a autoridade
exercida a força
seu falo não é nada mais
do que a reprodução
da classe trabalhadora
da qual tanto necessita
os capitalistas selvagens
a massa de manobra
massa de reserva
que continua a ganhar salário e morrer de fome
um simulacro de narciso
o interesse na auto-reprodução alegre
escravos da felicidade
num mundo de vencedores
não sou apenas mais um
dedicado a vida fútil das massas
a conformidade
ao fascismo de aceitar
daquele que exige dentro da norma
e se qualifica dentro do poder
anunciando por todos os cantos do facebook
EU SOU POETA!
ridículos todos vós pretensiosos
que balbuciam palavras como quem
pretensioso a alquimista
pretende lançar algum feitiço
suas palavras representam
fétidos espelhos sujos
fétidos não-lugares
reflexos de porra nos teclados e
cameras voltadas a si mesmo
tinha um mundo mas o ignoraram
assassinas criações
que só reafirmam a caretisse
o medo das
novas gerações
o medo de ser
e do mundo que tem que ser refeito
interessados em reproduzir
reproduzir sem orgasmo
armam suas espadas, sei lá
em seus cavalos de alpaca
e guerreiam sem bandeiras
por linhas tenuês de LCD
morrem para a eternidade
como se nunca tivessem existido
Melo Lola Lola Volni Luiz Pagani Junior Tatiana Balistieri
Sofistas
Penso muito sobre a domesticação humana, sobre a tecnificação do homem, sobre a neutralização da experiencia. Alguns me acusam de saudosista,por achar que em tempos antigos a vida tinha um algo mais. Mas não faz sentido pensar que nestes séculos de dominação técnifica-burguesa, algo realmente vai se perdendo, quer dizer, como diz Drummond, que ao telefone perdemos muito, muito tempo de semear?
Neste novo século não tivemos um grande poeta em evidencia. Isto é algo "sui generis", uma década sem um grande poeta. Estaria eu loco de justificar diversos péssimismos a partir disso? A interdição do discurso poético não tem nada a dizer sobre nós? Novamente Drummond, o tempo mal e o poeta mal fundem-se no mesmo impasse.
Anarquistas surrealistas franceses se debruçaram sobre a problemática da crise do sensível. Se convenceram de que sem o poema o elo mágico que conecta cosmologicamente o homem com o homem se perde. Entenderam que o cientificismo dogmatico e a sacralizacao da razão é uma ameaça constante, pois fomenta o homem-máquina, progamado lógicamente através de códigos binários para executar projetos.
O anarquismo deve transcender qualquer materialismo, afim de não permitir que a concepção de homem exclua a concepção de alma, e que o homem não torne-se um corpo simplesmente. Isto nos previne da ilusão de achar de que a igualdade material e o pleno saciamento das necessidades biologicas do corpo humano sejam algo além do que justiça, e se confundam também com liberdade ou autonomia.
Entendemos expressamente que a disputa no campo sensível, ou seja, místico e artístico é deveras um campo por excelência de atuação anárquica. Acreditamos fielmente de que sendo a realidade discurso, a linguagem revolucionaria não poderia jamais ser uma linguagem cientifica, metodologica, como se orgulham os guardiões do "materialismo dialético". Não diferente da episteme burguesa, estes glorificam a opressão biopolitica do trabalho, e acabam como os capitalistas, reduzindo o homem e todas as suas potencialidades a uma força produtiva.
Sinceramente não vejo como paredes de partidos, reuniões demoradas e disputas de eleições burguesas podem contribuir politicamente com nossa autonomia. As "vanguardas revolucionarias" de nosso tempo parecem apenas nos restringir a normatividade comoda da politica das cadeiras, e a atividade revolucionaria torna-se uma politicagem tola de agariar membros para o partido, de controlar e exercer influencia sobre o máximo possivel de pssoas, ou seja, de massas.
Não luto uma luta de classes. Não me interessa se a ditadura é do proletariado ou é da burguesia, não louvo nem condeno nenhum agente, entre Hitler e Stalin para mim o culpado é o Estado. As superestruturas burguesas são estruturas de dominação burguesas, mas os proletarios acham que podem ser estruturas de libertação proletária. O anarquismo não trabalha dentro destes termo. A opressão para nós deve-se as estruturas de poder. O dispositivo de verdade é sem dúvida o mais perigoso. Por isso somos sofistas
Poetas borrabotas
enclausuram forma e conteúdo
e capturam todo devir poético
nas suas linhas bem definidas
na sua linguagem rápida
feita para consumo rápido
A fetichização da poesia
como produtos que decoram entradas de boutiques,
como quadros reprimidos prisioneiros das paredes das madames
servindo para dissimular as grades destas prisões de luxo
não desconstruindo, mas decorando
Poetas borrabotas
servem as necessidades intrínsecas
de um lirismo publicitário
se fazendo verdadeiros
lacaios da ditadura da beleza
do amor romantico-monogamico
e da felicidade.
Volta e meia criam um slogan que cativa a massa,
e não raramente
se justificam dizendo que tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
Poetas borrabotas fazem poesia pra negócio
e tratam seus escritos como propriedades
adoram assinar seu nome
e o plágio lhe causa pavores,
sente que a expropriação poética é um roubo da sua "genialidade"
São significantes sem significados
"abra a felicidade"
palavras que se adequariam perfeitamente
a uma campanha qualquer
de uma empresa de perfumes
Poetas borrabotas reivindicam na poesia apenas o status de poeta,
e figuram no poema apenas uma imagem
Na rua começa a nossa história,
palavra contra os cinzas do concreto
lirimos batendo nos vidros
desfazendo a barreira entre outros
escondidos em seus antromóveis
e nós como sujeito da poesia
militantes da palavra
expansores da vida
ARTERRORIZANTES simplesmente
bando de fujões da rotina
relutantes dos conceitos de segunda, terça, quarta, quinta e sexta
expansores da vida
até que se rompa com o umbigo
até que se viva de anarquia
até que a arte seja a nossa única biografia
Foras tu, reles coração latrocinado
que se tem algo que jamais nos roubarão
é a loucura potente capaz de inventar liberdades
que nenhum genio da modernidade foi capaz
de pensar que existia
Nós passeremos
passageiros da alegria
vocês passarão
bebendo gasolina
e lendo poesia de inverdades
Quem diria que o semáforo
poderia ser uma arena
onde o rancor e arte
se encontram e degladeiam?
Ilha da magia
anuncio a trupe ARTERRORIZAR
pra que nada mais continue como esta,
até que então tudo não seja mais o mesmo,
pois mesmo para poetas
o sonho não deve nunca
ser apenas uma metafóra
Até que a poesia esteja infiltrada na massa,
e que o povo não estranhe mais entre o povo
a palavra povo.
Povoamos as ruas de humanidades
pretendendo sobretudo
desfazer o fascismo que existem em nossos corpos
o fascismo que não nos permite criar
o fascismo que é um convite
a fazer apenas o que tem sido feito
Nós somos a novidade,
o vislumbre, o improvavel
que veio a ser possivel,
a realidade a qual arrombamos a porta,
da ilha na qual atravessamos a ponte.
Com Cogumelo
Sobre o que nao falaremos
Quem ler ate o final
ganhara um pirulito
Poema coletivo,
necessidade de consenso,
gemios e virgo
dividindo marte
sobre nosso planeta,
mercurio,
sobre o nosso planeta
falaremos
(experimento poetico n1, gravando)
Sem pretexto do pretérito
sem méritos e métricas em texto
punhetizando a hiperealidade
em sentido vibratório
como um hipertexto
Arde a água na traquéia
calma que esta produzindo na minha cabeca
isso,
espontanea sede que me resta
verbo desbotado nesta fumaca liquida
nas aguas de marco
sede nas entranhas
estranhos pingos decaem do tempo
paralisados
cachaca de setembro
Voces sao uns merdas
porque nao se dao ao luxo da linguagem,
nao reclinaremos uma linha,
nao aparemos sequer um unico verso
Em seu lixo meu luxo
moribumbundo
decassilabo
multifacetado
flexivel
pos moderno
sustentavel
ecologicamente incorreto
reciclavel
intragavel
higienista
sujeirista
eugenista
nazifascista
posbarackobamista
précomunista
neofeudalista
exliberalista
próexorcista
homossexualista
antifamiliarista
travestista trotskysta
cavalos chupando bucetas
homosufragistas
piriguete elitista
funk metaleiro
anarcocapitalista
cheirar pó maconheirista
estuprador moralista
cheira cola burguesia
os pracinhas da FEB
as plebs na pracinha
bordeis, cinturões de felicidade
a insuportabilidade das palavras
você eu
você corpo
você matéria
cobra rasteira
cobra empalada
narina e carrera
escreveremos o maior poema da história da humanidade
- para que escrever o maior poema da história da humanidade? Quanta pretensão! Que bebida é essa?
- Essa bebida é bebida! Para ser.
Eu gosto de você mas não vou te comer
ogun lé oké
passa a mão sobre meu rosto
as palavras nos saem caras
o que dizer nesse momento profano?
qual verbo regogitar?
regogizar
sem enfase
categorizamos tudo!
vidros
janelas
paredes
tudo o que tem a ver com paredes
botamos em uma lista
desde os primórdios
vamos lá
areia
barro
terra
concreto
tinta
pedreiro
muro
capital
tudo o que é necessário para construir uma parede
força de vontade
para para para
o assunto não interessa aos nossos companheiros
descompanheirados
poeta dos fundos
façamos
vamos fazer uma poesia sim
que começa meio tosca
talvez até falando de amor
talvez até falando de amor
jogral poético
e o melo tec tec tec
e o tec tec melado
e o teco teco?
parem o mundo
mortadela dará uma baldada!
vamos!
peraí!! um minuto de silencio
...
Tomar no cu o leitor que chegou até aqui
não tem o que fazer mesmo.
vai masturbar tu anus
não to botando fé
está uma bosta
venderemos no sinal
um cigarro e uma cerveja.
viu como está ficando massa?
Mijos em pisos
respingos dos retos
sai daí
O que eh a poesia?
pior que isso, porque definila?
o que estamos fazendo,
eh poema, eh poesia,
eh orgia verborragica,
eh putaria linguistica?
Palavras aideticas...
Ouvindos anais
afinal, quem nao caga palavras sob o papel?
todos vomitam
vomitam
e vomitam
QUEM NAO LIMPA O CU COM A BOCA?
No meu cu,
fodeime,
rejeitar-me,
vossa moral, como atingila?
vossa prostota, calcanhar de Aqueles
O poema sinalizara
que esta pronto
quando eu esporrar pelos vidros das telas de lcd
ou das flores secas sem cheiro de amor
paraindo sobre ferteis latifundios
onde o gado se alimente
e pinheiros bebem todo alcoll
do aquifero guarana
antartica
oh, antartica
continente gelado
porque diminuiste o meu penis
enquanto japoeses malvados
matavam as suas baleias as suas baleias jubart
e restritos
ecologistas choravam a morte
de cachorros sentesiados
pelos nazistas
da carrroca dos cachorrinhos
que proclamam nundenberg
sobre pinchers
de madamaes
estericos
e esterelizados
cheio de esteroides
e hormonios de frango — com Gabriel Melo.
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